O governo dos Estados Unidos anunciou em 28 de maio a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida entrará em vigor em 5 de junho.
Com a decisão, as duas maiores facções criminosas brasileiras integrarão um mecanismo estabelecido em 1997, durante o governo Bill Clinton. O objetivo é identificar organizações consideradas ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos.
Um levantamento do Valor Econômico sobre a lista do Departamento de Estado dos EUA indicou que os grupos retirados da relação permaneceram, em média, 13 anos sob essa designação.
A saída dessa lista apresenta dificuldades. Desde a sua criação, apenas 24 organizações perderam a classificação. Em alguns casos, o processo se estendeu por décadas.
Exemplos de processos mais longos incluem o grupo separatista basco ETA, a seita japonesa Aum Shinrikyo, o Grupo Islâmico do Egito e o movimento judaico Kach. Todos permaneceram aproximadamente 24 anos e meio na relação antes de serem removidos, entre outubro de 1997 e maio de 2022.
A lista original de Clinton reunia 28 organizações. Quase três décadas depois, 13 delas ainda são classificadas como terroristas pelo governo americano. Entre esses grupos estão o Hamas, o Hezbollah, o Sendero Luminoso, do Peru, e o Exército de Libertação Nacional (ELN), da Colômbia.
Expansão da lista sob gestão Trump
Atualmente, o Departamento de Estado mantém 94 organizações classificadas como terroristas estrangeiras. Com a inclusão do PCC e Comando Vermelho, este número aumentará na próxima semana.
A lista ganhou velocidade de expansão desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. Dos 94 grupos classificados, 27 foram adicionados durante sua gestão.
Essa estratégia integra uma política do governo republicano de utilizar instrumentos antiterrorismo contra organizações criminosas transnacionais, especialmente na América Latina.
Divergências entre Brasília e Washington
A inclusão das facções brasileiras ocorre após meses de divergência entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil.
Washington argumenta que PCC e Comando Vermelho representam ameaças à segurança regional.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva sustenta que as organizações não se enquadram no conceito de terrorismo previsto na legislação brasileira. A atuação destas organizações ocorre com fins econômicos, e não por motivação ideológica.
Neste mês, o presidente Lula esteve na Casa Branca. Na ocasião, ele buscou a cooperação policial e financeira contra as facções, concentrando esforços em lavagem de dinheiro, tráfico internacional e redes de contrabando.
Dias depois, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu-se com Donald Trump em Washington. Ele afirmou ter defendido a classificação das facções como organizações terroristas estrangeiras.


