O banco UBS BB rebaixou a recomendação das ações da Natura (NATU3) de “compra” para “neutro” nesta sexta-feira (29), devido à perspectiva de receita da companhia e à confiança reduzida na recuperação de sua participação de mercado.
Com a alteração, o preço-alvo para o final de 2026 foi ajustado de R$ 12 para R$ 11 por ação. Ao longo da sexta-feira (29), os papéis da NATU3 registraram queda de 2,08%, sendo negociados a R$ 9,89 por volta das 14h.
Estimativas de Lucro Reduzidas
As estimativas de lucro líquido para a Natura em 2026 e 2027 também foram atualizadas pelo UBS BB. Para este ano, a expectativa de lucro foi reduzida de R$ 1,4 bilhão para R$ 1,0 bilhão. Para 2027, a estimativa caiu de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,6 bilhão.
A análise do banco aponta que o mercado brasileiro de cosméticos, fragrâncias e higiene pessoal mantém-se atrativo. No entanto, o modelo de venda direta da Natura pode enfrentar pressões decorrentes da intensidade competitiva esperada para o restante do ano, da entrada de novos competidores e de riscos relacionados à concorrência internacional.
Em 2025, a Natura registrou uma perda de 70 pontos-base de participação de mercado. Esse movimento reflete o aumento da concorrência e um consumo enfraquecido na região Nordeste.
No primeiro trimestre de 2026 (1T26), a base de consultoras da companhia recuou 4%. Em março, a Natura implementou mudanças em incentivos. Mesmo assim, a visibilidade sobre a recuperação da base de consultoras permanece limitada. O aumento da penetração do e-commerce pode intensificar as pressões sobre o modelo principal de vendas da companhia.
Potencial de Expansão de Margens
Apesar do cenário para a receita, analistas do UBS BB identificam potencial para a Natura expandir suas margens. A expansão da margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) é considerada viável, mesmo com a previsão de receita mais fraca e uma menor margem bruta anual.
O aumento pode ser impulsionado por economias resultantes de uma redução de aproximadamente 25% nas despesas administrativas. Segundo o banco, a maior parte dos custos dessa reestruturação foi registrada no 1T26, e os benefícios são esperados a partir do segundo trimestre de 2026 (2T26).
O UBS BB projeta margens Ebitda de 14,2% para 2026 e 15,7% para 2027. Além disso, a previsão inclui uma melhora na geração de fluxo de caixa livre (FCF) e no pagamento de dividendos.
A partir do segundo semestre, o banco prevê uma base de comparação de vendas menos desafiadora, especialmente nos mercados hispânicos. Este fator pode influenciar o desempenho de curto prazo. Ganhos de participação de mercado e um crescimento mais acelerado da receita poderiam alterar a visão dos analistas sobre a ação.