Ações de varejistas, como Lojas Renner (LREN3) e C&A (CEAB3), registraram quedas após notícias sobre a possível extinção da “taxa das blusinhas”. A iniciativa surge em um contexto de preocupações do governo com o custo de vida.
O JPMorgan ressaltou que a remoção do imposto de importação seria negativa para os varejistas de vestuário acompanhados pelo banco.
Impactos da possível mudança
O governo federal cobra cerca de 20% de imposto, enquanto os estados cobram cerca de 20% de ICMS. O JPMorgan acredita que uma possível remoção afetaria aproximadamente metade da tributação efetiva (a parcela federal), enquanto o imposto estadual deveria permanecer em vigor.
O BTG Pactual avalia que qualquer revisão dos impostos de importação deve ser negativa para os varejistas locais, trazendo pressão sobre os preços.
A mudança de política de 2024, que introduziu um imposto de importação de 20% + ICMS sobre remessas de até US$ 50, provocou uma queda nos volumes de encomendas internacionais nos primeiros meses de implementação. Após a introdução da “taxa das blusinhas”, os volumes de encomendas caíram, mas nos últimos meses, os volumes de importação já estavam próximos dos níveis anteriores à taxa.
Em comparação com pesquisas de 2024/2025, a diferença de preço entre a Shein e os players locais diminuiu, de acordo com o BTG Pactual.
A revisão dos impostos de importação deve levar em conta três pontos: a magnitude da pressão sobre os preços, a competitividade dos players locais e o posicionamento das plataformas estrangeiras.
Os analistas afirmam que as altas taxas de juros continuam a afetar a renda disponível, enquanto a alavancagem das famílias, ainda elevada, restringe o poder de compra. A concorrência do e-commerce e de players internacionais continua a limitar a alavancagem operacional das empresas estabelecidas no setor.
Posicionamento da Renner
A administração da Renner reconhece o risco regulatório com a mudança nas “taxas das blusinhas”, mas avalia que o impacto competitivo hoje seria menor do que no passado.
Os tributos estaduais tenderiam a permanecer, mesmo em um cenário de retirada do imposto federal, limitando a vantagem de preço das plataformas internacionais. A Renner tem uma cadeia de suprimentos mais eficiente e flexível do que em 2022–2023. Ganhos recentes em gestão de estoques permitem à companhia competir mais pela proposta de valor.
O Goldman Sachs reiterou a recomendação de compra para a Renner e manteve preço-alvo de R$ 20.