A Polícia Federal identificou indícios de pagamentos ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em investigações relacionadas ao Banco Master.
O relatório da PF, com cerca de 200 páginas, foi entregue a Edson Fachin, presidente do STF, pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Conteúdo do relatório
O documento reúne telefonemas entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro, convite para uma festa de aniversário de Toffoli e conversas de Vorcaro com terceiros sobre pagamentos ligados ao resort Tayayá, empreendimento da família do magistrado, conforme reportagem de Malu Gaspar, no jornal O Globo.
Segundo a Folha de S.Paulo, Toffoli admitiu ter recebido recursos da Maridt, empresa com participação no Tayayá, por ser sócio da companhia junto com familiares. Ele afirmou que os repasses foram regulares e declarados à Receita Federal.
De acordo com o Estadão, Toffoli é sócio anônimo da Maridt, sociedade anônima administrada por dois de seus irmãos. A empresa vendeu, em 2021, sua fatia de 33% no resort Tayayá ao fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos.
O fundo chegou a investir R$ 20 milhões nas empresas ligadas ao resort, segundo a Folha de S.Paulo.
O ministro recebeu dividendos em razão da participação na Maridt, mas afirmou que, quando assumiu o caso Master, a empresa já não mantinha participação no resort havia anos. Ele declarou que todas as distribuições foram declaradas e aprovadas pela Receita Federal.
Posicionamentos
Em nota, Toffoli afirmou que o relatório da PF se baseia em “ilações”. Ele declarou que apresentará resposta formal ao presidente da Corte.
A defesa do banqueiro afirmou que houve “vazamento seletivo de informações”.
Toffoli é relator das investigações envolvendo o Banco Master após atender a pedido da defesa de Vorcaro para que o processo fosse remetido ao Supremo.
O presidente do STF deverá decidir sobre o encaminhamento do pedido de suspeição após avaliar o material entregue pela Polícia Federal.