A recente saída de grandes tradings de grãos da Moratória da Soja, um pacto corporativo com duas décadas de existência, tem gerado ceticismo entre ambientalistas sobre a capacidade das empresas de cumprir promessas de evitar a compra de soja cultivada em áreas de desmatamento no Brasil.
A decisão das tradings globais ocorreu após a aprovação de uma lei no Mato Grosso, maior produtor de soja do país, que retirou incentivos fiscais para empresas que aderiam ao acordo. A moratória, implementada em 2006, impedia a compra de soja de fazendas que desmatassem áreas florestais após 2008.
Compromissos e transparência
A situação acontece em um momento em que as empresas haviam se comprometido a acabar com todo o desmatamento em suas cadeias de suprimentos até 2025-2026. A adesão continuada à moratória garantiria proteção a outros ecossistemas ameaçados, como o Cerrado e o Pantanal. As empresas ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus, Amaggi e Cofco haviam assumido o compromisso de combater o desmatamento.
A falta de um pacto setorial, em favor de compromissos individuais, levanta questionamentos sobre a transparência e a colaboração necessárias para monitorar o cumprimento das metas. O Ministério do Meio Ambiente ressalta a importância de mecanismos de reporte e verificação para garantir a eficácia das medidas.
A maior parte da soja brasileira é utilizada como ração animal, com grande parte da carne produzida sendo vendida em supermercados e redes de fast-food. A Cofco informou que 99% da soja que compra no Brasil está livre de desmatamento desde 2024. Já as empresas ADM, Bunge, Cargill, LDC e Amaggi não responderam aos questionamentos sobre seus compromissos.
A saída da moratória foi criticada por organizações e representantes do varejo, que expressaram desapontamento com a decisão das tradings. A Europa, que deverá adotar legislação que proíbe importações ligadas ao desmatamento a partir de 2020, pode intensificar a fiscalização. A China é o maior comprador da soja brasileira, mas as exportações para a Europa podem aumentar com o acordo comercial Mercosul-União Europeia.
Apesar das incertezas, o representante do Retail Soy Group acredita que as tradings podem manter seus compromissos com os sistemas de monitoramento que já possuem. Ambientalistas, por outro lado, questionam o impacto que o varejo pode causar sem reduzir as compras das empresas que abandonaram a moratória.
O futuro da preservação da floresta amazônica dependerá da efetividade dos novos compromissos e da fiscalização das empresas.
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