A investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, por suposta irregularidade em uma reforma da sede em Washington, gerou reações no mercado financeiro. Apesar da expectativa de impacto, as ações permaneceram estáveis e o dólar pouco se alterou.
O economista Tyler Cowen, da Universidade George Mason, avalia que a ausência de pânico nos mercados financeiros indica que a independência do Federal Reserve já estaria comprometida.
Dívida e política fiscal
Cowen argumenta que a política fiscal, como acordos orçamentários e cortes de impostos, diminuiu a liberdade de atuação do Fed. Segundo o economista, a alta dívida e os déficits levam à monetização e à inflação.
Cowen também aponta que a inflação se torna a forma menos impactante de lidar com as obrigações financeiras, já que os eleitores podem não aceitar aumentos de impostos ou cortes de gastos.
Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, compartilha da visão de Cowen, alertando para a armadilha da dívida. Ele sugere que os países endividados enfrentam austeridade, calote ou inflação.
Cowen prevê que os Estados Unidos podem precisar de inflação de 7% por cinco anos para reduzir o valor da dívida em relação à economia.
Apesar disso, Cowen ressalta que o status dos EUA permite que o país sustente uma dívida maior que outras nações, embora isso possa enfraquecer a disciplina política.
Em meio a esse cenário, o economista Albert Edwards, do Société Générale, declarou que a inflação descontrolada é o resultado inevitável, devido à falta de interesse em reduzir os déficits.
Cowen ressalta que o resultado é uma nova era para o dólar americano.