Uma disputa interna no Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco coloca em questão o apoio da sigla ao prefeito de Recife, João Campos (PSB), caso ele dispute o governo estadual neste ano. Uma ala de deputados estaduais defende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoie tanto Campos quanto a governadora Raquel Lyra (PSD), que deve buscar a reeleição. O diretório do PT em Pernambuco afirma que uma decisão não foi tomada e que as declarações de membros da sigla no momento representam posições pessoais.
Defesa de palanque duplo
O deputado estadual João Paulo, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa de Pernambuco, apoia a decisão por um palanque duplo. Ele argumenta que o apoio a Lyra e Campos garantiria à campanha de Lula capilaridade em todo o estado, o que é prioridade para a sigla.
O deputado afirma que a governadora reconhece a importância do apoio de Lula e que não acredita que ela apoie um candidato da oposição ao Planalto. Estar ao lado dela garante a Lula vantagem na penetração da campanha no interior de Pernambuco, e o PT precisa de uma votação expressiva no Nordeste para garantir vagas no Congresso e a reeleição de Lula.
O ex-presidente do PT em Pernambuco, o deputado estadual Doriel Barros, também defende a consolidação de um palanque duplo. Ele afirma que o diálogo com o PSB precisa ser mais aberto e que dois palanques trazem mais votos para Lula e equaliza a disputa em cima do que cada candidato tem feito para a população.
Posicionamento do PT
A direção estadual do PT afirma que está em fase inicial do debate e que um anúncio sobre o apoio será feito após uma discussão coletiva baseada nas prioridades da sigla: a reeleição de Lula e do senador Humberto Costa, e a ampliação das bancadas federal e estadual.
Carlos Vera, presidente do PT no estado e deputado federal, aponta que as opiniões são resultado do livre pensar de cada um, mas não expressam necessariamente a posição do PT. Ele afirma que o PT de Pernambuco escolherá qual o melhor caminho para Pernambuco e para o Brasil, dentro dos objetivos da sigla, após uma etapa de debate coletivo.
O senador Humberto Costa afirma que qualquer discussão sobre o tema neste momento é prematura e que, quando o partido tomar uma decisão definitiva, todos marcharão juntos.
Contexto político
O prefeito de Recife, João Campos, é presidente nacional do PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, que manifesta apoio à reeleição de Lula. Raquel Lyra, ex-tucana, migrou para o PSD em março, com o incentivo de petistas como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e quadros locais do partido.
Em agosto, Campos aproveitou a ausência da governadora em compromissos de Lula no estado para se colocar como “soldado” do petista e tentar esvaziar a ideia de palanque duplo na disputa.
O evento de filiação de Lyra ao PSD contou com a presença de ministros de Lula: Alexandre Silveira (Minas e Energia), Carlos Fávaro (Agricultura) e André de Paula (Aquicultura e Pesca). As senadoras Eliziane Gama (MA) e Zenaide Maia (PB) também prestigiaram a pernambucana.
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