A MedToken, plataforma de tokenização de recebíveis médicos, prepara para este bimestre sua primeira oferta pública de tokens. Os ativos digitais são lastreados em plantões de profissionais de saúde e, até o momento, eram negociados apenas em ofertas privadas no Mercado Bitcoin.
A startup foi fundada em 2024 por Lídia e Vitor Tatekawa. Lídia, médica com passagens pelo Hospital Sírio-Libanês, Imed Group e CEJAM, acompanhava a demora de até 90 dias para profissionais receberem pelos plantões.
Atualmente, a MedToken reúne 4 mil profissionais de saúde cadastrados, com maior parte em São Paulo e presença em outros estados. A empresa tokenizou mais de 4 mil plantões desde o início da operação e registrou crescimento de 73% no volume transacionado (GMV) nos últimos 11 meses. A MedToken atua em 40 hospitais e atende 96 unidades de saúde em projetos-piloto (POCs), sem casos de inadimplência registrados.
Estrutura da Operação
A operação é baseada na cessão digitalizada de créditos. A MedToken antecipa o valor ao profissional, com deságio, e registra o crédito correspondente em blockchain como um token. Investidores adquirem o ativo e recebem o valor corrigido no vencimento, quando o hospital liquida a dívida original.
A MedToken informa que 62% das antecipações são pagas no mesmo dia do plantão, e o restante é liquidado em até 48 horas. A distribuição dos tokens é feita pelo Mercado Bitcoin. Todas as operações anteriores foram conduzidas como ofertas privadas, com a tesouraria de uma securitizadora adquirindo os ativos. A empresa tem capacidade técnica para a listagem pública, mas busca atingir volume maior de operações antes de abrir o ativo ao varejo.
A análise de crédito, monitoramento de risco e validação de plantões da MedToken é realizada por agentes de inteligência artificial. O sistema avalia a consistência das informações antes da tokenização e monitora a concentração de crédito por profissional e por instituição.
Modelo de Acesso
O acesso dos profissionais de saúde à plataforma ocorre via gestoras de equipes médicas, empresas contratadas pelos hospitais para administrar seus times. A base de usuários inclui não apenas médicos, mas também enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. Os profissionais que antecipam recebíveis de forma recorrente abrangem desde recém-formados até indivíduos com 60 anos ou mais.
Situação Financeira e Planos
A estrutura inicial da MedToken, formada por dois fundadores e operação apoiada por inteligência artificial, resultou em superávit nos primeiros meses de operação. A companhia opera no modelo bootstrap desde o início e busca sua primeira captação até o fim deste ano. A empresa está em fase de estruturação para abrir uma rodada de investimento seed, cujo valor não foi revelado.
Os recursos da captação serão destinados à ampliação da base de gestoras e hospitais parceiros, além da expansão do portfólio de produtos para além da antecipação de recebíveis. A MedToken planeja ampliar o uso do blockchain na gestão hospitalar, com aplicações para controle de estoque, rastreamento de insumos e redução de desperdício. As regiões Norte e Nordeste são prioridade na estratégia de expansão da startup.
Concorrência e Regulação
A MedToken afirma ser a única plataforma que combina antecipação de recebíveis médicos com tokenização. A empresa atua como plataforma de tecnologia, e não como instituição financeira ou prestadora de serviços de ativos virtuais (PSAV), categoria regulada pelo Banco Central. A oferta dos tokens é feita pelo Mercado Bitcoin, que detém a regulação necessária, enquanto a MedToken atua na estruturação e tokenização dos créditos. Uma securitizadora atua nos bastidores da operação.
Sobre o risco de inadimplência, a MedToken afirma que a responsabilidade de cobrança e monitoramento é sua, em conjunto com uma instituição financeira parceira. O investidor permanece sujeito ao risco de crédito do devedor.



