A escalada do conflito no Oriente Médio tem impacto além da volatilidade do petróleo e de mercados. Para famílias com alto patrimônio, o momento representa uma mudança na proteção patrimonial.
A gestão patrimonial tradicional sempre esteve baseada na diversificação por classe de ativos. O novo contexto exige avaliar a exposição concentrada em uma única jurisdição, a dependência de sistemas financeiros específicos, a vulnerabilidade a mudanças fiscais e o risco de controles de capital, segundo Eron Falbo, CEO da Bridge Legacy.
Europa sob pressão fiscal
O aumento dos gastos militares financiado por expansão fiscal reacende dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública na Europa. Portugal eliminou o investimento imobiliário do Golden Visa. O Reino Unido aboliu o regime de non-dom, provocando saída de milionários do país. Após o fim do regime, 16.500 milionários deixaram o Reino Unido, enquanto os Emirados receberam 9.800 milionários em 2025.
Brasil também pressiona
No Brasil, a Lei 14.754/2023 passou a tributar fundos exclusivos e offshores, e a Lei 15.270/2025 ampliou o alcance das medidas. A partir de 2026, entra em vigor a tributação de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais.
Golfo ganha força no radar
Países do Golfo fortalecem alianças com os Estados Unidos e mantêm regimes de tributação zero sobre renda pessoal. A região passa a integrar o planejamento de famílias que buscam previsibilidade institucional.
Ganhou força o conceito de resiliência jurisdicional, que envolve estruturas multilocalizadas, diversificação bancária internacional e planejamento sucessório com proteção transnacional.
Conflitos armados aceleram a revisão de risco soberano e estabilidade institucional, de acordo com especialistas.