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Trump usa pretextos para impor tarifas e pode intervir em eleições, diz economista

A economia global enfrenta instabilidade devido a disputas geopolíticas, como a transição energética. Maurice Obstfeld, da Universidade da Califórnia em Berkeley e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), analisa a situação, com foco na estratégia dos Estados Unidos.

A Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, sob Donald Trump, visa fortalecer o petróleo, conter a China e controlar a América Latina, vista como zona de influência americana.

Relação com Cuba e Irã

Trump mencionou a possibilidade de “tomar” Cuba e afirmou que o país poderia enfrentar uma mudança de regime. Ele também disse que os EUA seriam atacados pelo Irã se não tivessem agido primeiro.

Obstfeld avalia que, apesar das turbulências, a conjuntura macroeconômica é positiva. O maior risco para o Brasil é a interferência americana no processo eleitoral, seja por meio de declarações ou pressão econômica. Na Argentina, o apoio americano pode abrir portas para a estabilização.

Geopolítica e energia

Obstfeld explica que a geopolítica pode ser entendida em termos de “petroestados” e “eletroestados”. Os EUA, a Rússia e os países do Golfo são exemplos de “petroestados”, enquanto a China e a União Europeia são “eletroestados”.

A decisão da Suprema Corte americana sobre as “tarifas recíprocas” e a resposta de Trump, estabelecendo uma taxa global de 15%, terão pouco impacto. Trump tem outras prerrogativas para impor tarifas, como solicitar uma investigação. Obstfeld acredita que Trump usará pretextos para impor tarifas e perseguir adversários.

Fed e a ordem internacional

A escolha de Kevin Warsh para o Federal Reserve (Fed) foi vista como um alívio, pois ele é visto como mais estável do que outros candidatos. Obstfeld afirmou que os EUA tomaram uma “bifurcação” contra a ordem financeira e monetária internacional, e que a confiança da comunidade internacional foi abalada.

A América Latina é vista como alvo, com a Estratégia de Segurança Nacional favorecendo empresas americanas. Obstfeld aponta para possíveis intervenções em países latino-americanos.

O ambiente internacional favorável aos emergentes, com condições financeiras flexíveis e a taxa de câmbio do dólar fraca, beneficia o Brasil. O crescimento global se manteve, apesar da guerra comercial.

Interferência eleitoral

Obstfeld prevê que os EUA intervirão nas eleições brasileiras, com declarações de Trump para tentar garantir a vitória da direita. Ele alerta que medidas econômicas acompanhadas dessas intervenções seriam preocupantes. A decisão da Suprema Corte limita as ações de Trump, mas ele ainda tem recursos.

Obstfeld ressalta que é possível reduzir a dependência do dólar, com foco em outros parceiros comerciais e transações em outras moedas. Bancos centrais buscam se proteger de retaliações americanas.

A China pode reduzir gradualmente seus ativos sujeitos a confisco dos EUA. Obstfeld não considera provável uma venda massiva de títulos do Tesouro americano.

Sobre a Argentina, Obstfeld avalia que o presidente Javier Milei teve sucesso em uma prova e pode avançar para a próxima etapa. O resultado das eleições fortaleceu Milei, que tem o apoio dos Estados Unidos.

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