A possível indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed) enfrenta desafios devido ao cenário externo. A Casa Branca indicou que o candidato seria mais inclinado a reduzir juros.
Warsh, ex-governador do Fed, defende um ajuste na política do balanço do Fed para compensar juros mais baixos.
As investidas militares no Irã, juntamente com Israel, podem levar o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) a adotar uma postura mais rígida. O Irã faz fronteira com o Estreito de Ormuz, via marítima por onde passam exportações de países como Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Iraque.
A preocupação dos economistas é o efeito indireto sobre os preços de petróleo e gás. O Fed tem a missão de manter a inflação em 2%, e os preços ao consumidor já estão acima da meta.
Mercado de Trabalho em Crescimento
Dados recentes do mercado de trabalho mostram que ele continua se fortalecendo. A ADP informou que empregadores privados criaram 66 mil vagas em fevereiro.
Presidentes regionais do Fed indicam que a postura de esperar para ver ganhou ainda mais justificativa com o conflito. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, disse que os juros podem permanecer nos níveis atuais por “bastante tempo”. Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, afirmou que está menos confiante em sua estimativa anterior de um corte de 0,25 ponto percentual neste ano.
Bancos Centrais Globais
Bancos centrais estão abordando a guerra no Irã com uma postura mais dura, segundo Thierry Wizman, do Macquarie. Representantes do Banco do Japão, do Banco da Inglaterra, do Banco do Canadá e do Banco Central Europeu sinalizaram atenção a pressões inflacionárias.
Jim Reid, do Deutsche Bank, observou que investidores reduziram as apostas em um corte no primeiro semestre deste ano. A probabilidade de um corte até a reunião de junho caiu para 39%.


