A guerra no Oriente Médio pode elevar os preços dos alimentos em todo o mundo. O conflito, que impacta o fornecimento de fertilizantes, foi tema de reportagem do The New York Times, publicada em 8 de março de 2026.
O Golfo Pérsico é uma importante fonte de fertilizantes, especialmente os que fornecem nitrogênio, pois a região possui fábricas que produzem as matérias-primas. O fechamento do Estreito de Ormuz, canal que liga o Golfo ao Oceano Índico, impede a entrega desses produtos aos agricultores.
Impactos no comércio de fertilizantes
A interrupção do tráfego marítimo no estreito é a principal razão para a alta dos preços do petróleo e do gás. Se a hidrovia permanecer interditada, os preços de fertilizantes essenciais e dos produtos químicos usados em sua fabricação aumentarão. Isso pode levar os agricultores a limitar seu uso, reduzindo a oferta mundial de alimentos.
A Rússia e a Ucrânia também produziam quantidades significativas de fertilizantes. O conflito prolongado tornou esses produtos escassos, elevando os preços e levando os agricultores a economizar no uso de fertilizantes. O resultado foi a redução das colheitas.
Cinco dos principais exportadores de fertilizantes – Irã, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Bahrein – dependem fortemente do Estreito de Ormuz para exportar seus produtos. Esses países fornecem mais de um terço do comércio mundial de ureia, a forma dominante de fertilizante nitrogenado, e quase um quarto de amônia.
A QatarEnergy interrompeu a produção na semana passada ao perder o acesso ao gás natural após ataques. Outras fábricas continuam produzindo ureia, estocando-a perto de portos e aguardando a retomada dos embarques.
O momento da crise é especialmente preocupante para os agricultores do Hemisfério Norte, que agora precisam aplicar fertilizantes nas plantações que serão cultivadas na primavera. A Índia é particularmente vulnerável, pois compra cerca de 40% de seus fertilizantes à base de ureia e fosfato de fornecedores do Oriente Médio.
Os comerciantes já estão reagindo à ameaça de um choque no fornecimento de fertilizantes. A ureia vendida no Egito subiu de cerca de US$ 485 por tonelada para US$ 665 por tonelada, ou aproximadamente 37%, segundo a Argus.
O enxofre, subproduto do refino de petróleo e gás, também é impactado. Quase metade do enxofre mundial encontra-se preso no Estreito de Ormuz. Aproximadamente um quarto desse enxofre é destinado à China, onde é usado na fabricação de fertilizantes fosfatados. A agricultura africana também depende fortemente do enxofre proveniente do Golfo Pérsico.
Um aumento contínuo no custo dos fertilizantes pode forçar governos da Ásia e da África Subsaariana a subsidiar o custo do cultivo ou, de outra forma, a assistir à alta dos preços dos alimentos.
A escassez de enxofre pode ser sentida com mais intensidade em Marrocos, onde as fábricas o utilizam para produzir fertilizantes fosfatados.
O aumento dos preços dos fertilizantes pode reduzir as colheitas, limitar a oferta e elevar o preço dos alimentos. A matéria do The New York Times aponta que o preço dos alimentos vai subir.