A China apresentou sua resposta a um cenário global volátil, com foco na estabilidade interna, em meio a tensões geopolíticas e mudanças nas políticas comerciais dos Estados Unidos. A continuidade foi o tema central do discurso do primeiro-ministro Li Qiang aos parlamentares na quinta-feira, em um encontro político chave para o país.
A meta de crescimento foi ligeiramente reduzida, os gastos fiscais permaneceram estáveis e a postura sobre Taiwan não sofreu alterações significativas. A China também diminuiu os gastos militares, apesar da escalada da guerra no Oriente Médio.
A economia chinesa cresceu 5% em 2025, impulsionada por um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão. O governo chinês aumentou os gastos com defesa em 7% para modernização até 2035, segundo Li Qiang. O índice CSI 300 subiu 1% e o índice ChiNext avançou 1,7% no mercado interno.
Contexto Econômico
O ambiente externo para o desenvolvimento econômico da China em 2026 tornou-se mais complexo e volátil, segundo Shen Danyang, funcionário do Conselho de Estado. As autoridades estão avaliando incertezas como os preços globais do petróleo e a visita de Trump à China.
Em uma coletiva de imprensa na quinta-feira, Shen apontou os níveis relativamente baixos da dívida pública como indicativo de que Pequim tem espaço para mais empréstimos e gastos públicos. O Banco Central tem margem para reduzir os custos de empréstimo, com foco nos gastos fiscais.
O líder republicano Donald Trump deve chegar a Pequim em 31 de março para uma cúpula com o presidente Xi Jinping. Após a derrubada das tarifas emergenciais de Trump, a possibilidade de novas tarifas americanas se aproxima.
Medidas e Perspectivas
Em uma proposta preliminar para os próximos cinco anos, as autoridades prometeram aumentar gradualmente o salário mínimo. Também prometeram reprimir a “involução” em diversos setores, como veículos elétricos e painéis solares. Em relação ao reequilíbrio da economia, o superávit comercial da China provavelmente persistirá.
O governo chinês prevê um aumento de 10% no orçamento para gastos com ciência e tecnologia, chegando a 426 bilhões de yuans (US$ 62 bilhões).
A estabilidade na economia chinesa é vista como prioridade, segundo David Li Daokui, economista que assessora formuladores de políticas de Pequim. A economia chinesa continuará com foco no investimento na indústria manufatureira e na demanda externa.