Os preços da gasolina nos Estados Unidos estão em alta, impulsionados pela escalada militar liderada pelo presidente Donald Trump contra o Irã. O aumento pode influenciar o debate sobre o custo de vida em um ano eleitoral.
Na terça-feira, 2 de março de 2026, o preço médio da gasolina comum subiu para US$ 3,109 por galão, conforme a AAA (Associação Automobilística Americana). Uma semana antes, o valor era de US$ 2,951. O preço atual também é superior ao registrado no fim do governo Biden.
Impacto no fornecimento de petróleo
A alta nos preços acompanha interrupções no fornecimento global de petróleo, causadas por ataques dos EUA e Israel ao Irã e pela resposta iraniana.
Os contratos futuros de gasolina RBOB atingiram US$ 2,50 por galão, acima dos US$ 2,30 da semana anterior, indicando que a pressão pode continuar nos próximos dias.
A AAA aponta diferenças regionais nos preços, com o galão custando US$ 2,624 em Oklahoma e US$ 4,674 na Califórnia. Apesar do aumento, os valores estão abaixo dos picos superiores a US$ 5 registrados após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Os preços também equivalem a menos da metade do valor pago no Reino Unido.
Analistas do Financial Times alertam que novos aumentos podem afetar famílias com dificuldades financeiras. Ed Morse, assessor sênior da Hartree Partners, mencionou que cerca de 40% da economia é composta por pessoas que vivem de salário em salário. Morse disse que, se o preço atingir US$ 3,50 ou US$ 4, isso certamente terá impacto sobre uma grande parcela da população.
Posicionamento da Casa Branca
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que as políticas do governo levaram ao aumento da produção de petróleo nos EUA. Leavitt mencionou também mais oferta vinda do mercado doméstico e de acordos com a Venezuela. Ela disse que o Departamento de Energia e o Tesouro vão continuar monitorando os mercados.
A produção americana atingiu um recorde sob Biden, mas projeções da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) indicam queda em 2026. A economia americana é menos vulnerável a choques do petróleo do que a europeia. Dados da EIA mostram que 17% da energia consumida no país foi importada em 2024, a menor proporção em quatro décadas.
O mercado avalia que os preços podem se moderar antes das eleições de meio de mandato. Um período prolongado de gasolina cara pode reduzir o consumo e aumentar os lucros de produtores de energia.
Se o conflito se estender além do período previsto por Trump, a pressão sobre os combustíveis pode afetar a política monetária. Dados da CME indicam que o mercado passou a precificar menor probabilidade de mais de dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa básica, atualmente entre 3,5% e 3,75%, em comparação com antes dos ataques.



