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Mercados emergentes sofrem perdas com guerra no Irã e temores sobre inflação

A onda de vendas nos mercados emergentes se intensificou na terça-feira (3), com índices de ações e moedas registrando as maiores quedas em anos. A situação ocorreu em meio à guerra no Irã, que força investidores a se ajustarem aos riscos de inflação e a reavaliarem as apostas em cortes nas taxas de juros.

O won coreano desvalorizou-se, atingindo o menor valor desde 2009 em relação ao dólar. As moedas do Chile e da Hungria, países dependentes da importação de energia, caíram mais de 2,5% cada.

Impacto da guerra

A situação se agravou em meio à perspectiva de uma interrupção prolongada. Investidores demonstram incerteza quanto à duração da guerra, em meio a mensagens contraditórias dos EUA e ataques aéreos contínuos. A alta dos preços do petróleo e do gás natural aumentou as preocupações com o aumento da inflação, o que pode limitar cortes nas taxas de juros globais.

Investidores reduziram as apostas em flexibilização monetária por parte do Federal Reserve, precificando uma probabilidade de 50% de um segundo corte de 0,25 ponto percentual este ano. Também foi descartada a probabilidade de um segundo corte por parte do Banco da Inglaterra.

O índice de referência da MSCI Inc. para moedas de mercados emergentes chegou a cair 1,6% antes de recuperar parte das perdas, caminhando para a maior queda no fechamento desde 2016.

Um índice semelhante de ações de países em desenvolvimento caiu mais de 4%, a maior queda desde que as tarifas globais do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, abalaram os mercados em abril.

O ETF de mercados emergentes da BlackRock, com US$ 30 bilhões em ativos e conhecido pelo código EEM, despencou, mesmo com o volume de negociações mais que triplicando. O ETF da empresa dedicado à Coreia do Sul sofreu a maior queda em seis anos.

Na África do Sul, investidores passaram a precificar a possibilidade de aumento da taxa de juros, revertendo apostas anteriores em corte. Os mercados brasileiros também se ajustaram e agora precificam um corte menor na taxa de juros em março.

Reações do mercado

As ações também despencaram. “Hoje, as negociações estão praticamente em uma única direção: comprar dólar e vender todo o resto”, disse Ning Sun, estrategista sênior de mercados emergentes da State Street Global Markets em Boston.

Após o melhor ano para as ações de mercados emergentes em quase uma década, as conversas entre investidores começam a se voltar para possíveis saídas de capital.

O florim húngaro permaneceu entre as moedas com pior desempenho, seguido pelo zloty polonês. Os rendimentos dos títulos em moeda local dispararam em meio às crescentes preocupações com a inflação, e os títulos em dólar da região registraram algumas das maiores quedas entre os mercados emergentes.

Os títulos emitidos por empresas imobiliárias dos Emirados Árabes Unidos caíram pelo segundo dia consecutivo. O Mercado Financeiro de Dubai e a Bolsa de Valores de Abu Dhabi reabrirão em 4 de março.

Na Ásia, o índice de referência Kospi caiu 7%, a maior queda desde agosto de 2024. O won também desvalorizou.

Os preços do gás natural na Europa subiram até 34% em meio à incerteza sobre a duração da suspensão das exportações da maior planta de exportação de GNL do mundo, no Catar.

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