A Huawei e a Aggreko estão desenvolvendo um projeto na Amazônia para instalar usinas solares associadas a baterias. O projeto, que visa reduzir a geração termelétrica em regiões isoladas, representará a maior operação de sistemas de armazenamento de energia no Brasil, segundo as empresas.
O empreendimento foi desenvolvido a partir de uma chamada pública do governo federal, conforme divulgado à Reuters. A Aggreko, que já opera usinas termelétricas em áreas isoladas, propôs integrar operações locais com energia solar e baterias para diminuir o uso de combustível fóssil.
Implantação de microrredes
O plano prevê a instalação de microrredes em 24 localidades do Amazonas a partir deste ano. O projeto totalizará 110 megawatts-pico (MWp) em usinas solares e 120 megawatt-hora (MWh) em sistemas de armazenamento de energia.
O investimento é de R$850 milhões, com R$510 milhões provenientes de um fundo criado após a privatização da Eletrobras, agora Axia Energia. A Aggreko aportará o restante e comprará as baterias da Huawei.
O projeto é considerado o maior envolvendo armazenamento de energia no Brasil, de acordo com dados da ABSAE. Atualmente, o país possui apenas um empreendimento em larga escala do tipo, da ISA Energia.
O projeto prevê o fornecimento de energia solar durante o dia para as comunidades amazonenses. As usinas serão dimensionadas para gerar acima do consumo, abastecendo os sistemas de armazenamento em baterias (BESS) fornecidos pela Huawei, segundo Cristiano Lopes Saito, diretor da Aggreko.
As termelétricas serão mantidas, mas com menor utilização, devido à necessidade de garantir a segurança energética. A geração solar na Amazônia apresenta complexidades devido ao clima, conforme Saito.
Para a Huawei, o projeto representa o maior empreendimento de BESS de seu portfólio no Brasil. As baterias nas microrredes servirão para armazenar energia e para funções como manutenção da tensão e frequência, disse Bárbara Pizzolatto, diretora de Off-Grid da Huawei.
Cronograma e benefícios
A implantação total do projeto da Aggreko na Amazônia deve levar até três anos, com as primeiras usinas podendo entrar em operação entre 2027 e 2028, segundo Saito.
A iniciativa da Aggreko e Huawei atenderá residências, comércios e pequenas indústrias. O projeto prevê uma redução de 37 milhões de litros anuais de diesel e a diminuição de 104 mil toneladas anuais de emissões de gás carbônico equivalente.
O projeto prevê o uso de baterias de diferentes tamanhos, com as maiores chegando ao tamanho de um contêiner de 20 pés, pesando 28 toneladas, segundo executiva da Huawei.
A Aggreko e a Huawei estão desenvolvendo um projeto na Amazônia que prevê a instalação de usinas solares e sistemas de armazenamento de energia.