O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de fevereiro apresentou alta de 0,84%, conforme dados divulgados. A elevação superou as projeções do mercado, que indicavam um índice menor.
O consenso Bloomberg previa um aumento de 0,56%. As demais estimativas do mercado variavam em torno de 0,60%.
Impactos setoriais
O setor de serviços mostrou resultados negativos, mas houve recuo na leitura geral, segundo a XP. No acumulado em 12 meses, a taxa caiu de 4,50% (até janeiro) para 4,10% nos 12 meses anteriores a fevereiro.
As passagens aéreas tiveram alta de 11,64% em relação ao mês anterior. O grupo de educação também exerceu forte pressão no índice, com alta de 6,18% nos cursos regulares.
Transportes e Educação responderam por 80% da inflação observada em fevereiro.
De acordo com a XP, os preços dos cinemas não apresentaram a queda esperada e os serviços com uso intensivo de mão de obra avançaram 0,66%.
Análise dos economistas
O economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, afirmou que a surpresa com o IPCA-15 merece atenção. Para ele, a inflação observada reflete decisões passadas de política monetária.
André Valério, economista sênior do Inter, apontou que essa piora era esperada devido à sazonalidade do mês.
Gustavo Gonzaga, economista da Necton Investimentos, ponderou que as medidas mais relevantes para a política monetária contrariaram a expectativa de normalização.
Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, afirmou que o resultado acende um sinal de alerta em relação à melhora estrutural da inflação.
Implicações nos juros
Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, destacou que o dado corrente traz um “sinal de alerta importante” para a condução dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Spyer pontuou que a reação do mercado foi imediata, com alta nos juros futuros.
A XP mantém a previsão de redução da taxa Selic em 50 pontos-base na reunião de março do Copom, chegando a 14,50%.
O Goldman Sachs não descarta o corte de juro em março. O economista-chefe da Monte Bravo, Luciano Costa, afirma que esta dinâmica da inflação representa impedimento para o Banco Central iniciar o ciclo de corte de juros na reunião de 18 de março.
A XP Macro projeta o IPCA acumulado em 2026 em 3,8%. O Bradesco espera a mesma alta acumulada da inflação para o final de 2026.
O mercado acompanha a evolução dos preços de serviços e os efeitos das sazonalidades.



