Investidores de varejo que desejam aplicar em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) precisam estar atentos a diversos fatores, apesar de ser um investimento de renda fixa. Os FIDCs, também chamados de fundos de fomento, possuem características específicas e podem apresentar maiores riscos.
George Wachsmann, consultor, alerta para a necessidade de compreender as operações de crédito em que se está investindo e avaliar a remuneração correspondente ao risco. É preciso analisar o tipo de cota do fundo, como sênior, mezanino ou subordinada, pois o nível de proteção em caso de inadimplência varia entre elas.
Risco de Liquidez
É crucial verificar o equilíbrio entre os ativos do fundo, os recebíveis, e o prazo de resgate. A incompatibilidade entre prazos pode gerar falta de liquidez, alerta o consultor.
Riscos Ocultos
Além de entender a operação de crédito, o investidor precisa conhecer os riscos ocultos de cada tipo de FIDC. Um exemplo citado são os FIDCs de duplicatas da Petrobras, onde a falsificação das duplicatas pode gerar perdas. É importante verificar se o FIDC é de créditos performados, nos quais o serviço ou mercadoria já foram entregues ao devedor, pois os não performados apresentam maior risco.
Angelo Belitardo, analista da Hike Capital, recomenda encarar o FIDC como crédito estruturado. Ele destaca a importância de analisar a qualidade da originação e do lastro, quem são os cedentes e sacados, a concentração dos recebíveis, o setor econômico e a dependência de poucas empresas.
Estrutura de Proteção
A análise da estrutura de proteção do fundo, o nível de subordinação entre as cotas e a existência de mecanismos de garantia, como overcollateral, são fundamentais. A qualidade do gestor, do administrador e do originador também é crucial, pois a forma como a análise de crédito é feita, a cobrança e o monitoramento de inadimplência impactam o risco.
É preciso analisar indicadores como inadimplência, atrasos, Provisões para Devedores Duvidosos (PDD), índice de recompras, concentração por cedente e sacado e envelhecimento da carteira. A padronização do informe mensal da CVM permite acompanhar esses dados de forma mais transparente.
Prazo e Retorno
Muitos FIDCs não são para resgate imediato e possuem prazos específicos. O investidor deve considerar o horizonte de uso do dinheiro e não tratar FIDC como substituto de caixa.
Belitardo adverte que retornos muito altos para riscos baixos podem indicar maior concentração, pior qualidade de crédito ou estrutura mais frágil.
Clara Sodré, analista de fundos da XP Investimentos, sugere que investidores iniciantes busquem fundos de cotas de outros fundos, com gestão ativa e pulverização de carteiras. Ela ressalta que mesmo com cotas estáveis, o FIDC não está isento de risco e o horizonte de investimento deve ser maior.
Para desfrutar das vantagens dos FIDCs, é essencial entender a estrutura das cotas e a subordinação. O investidor deve considerar a pulverização em segmentos, setores e riscos de crédito para se proteger.