O Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio Grande do Norte articula uma candidatura própria para o “governo-tampão” na Assembleia Legislativa. A ação ocorre após o vice-governador, Walter Alves (MDB), comunicar que deixará o governo estadual até abril.
Alves anunciou na segunda-feira que concorrerá a deputado estadual em outubro e apoiará uma chapa de oposição ao PT. A governadora Fátima Bezerra (PT) pretende renunciar ao cargo para disputar uma vaga no Senado.
Cenário Político
A Constituição prevê que, nesse cenário, a Assembleia Legislativa realizará uma eleição indireta para escolher um governador, que permanecerá no cargo até janeiro.
Samanda Alves, presidente do PT do Rio Grande do Norte, afirmou que a saída de Walter Alves foi uma surpresa e que o partido está buscando diálogo com a bancada de esquerda e com o presidente da Assembleia. O PT também está sendo procurado por partidos de outros campos políticos.
A possibilidade de a Assembleia escolher um nome de oposição preocupa o entorno da governadora. O nome escolhido pelos deputados ficaria no posto durante a campanha eleitoral, período considerado estratégico para candidaturas ao Executivo estadual.
O PL, que deve responder por um terço dos votos na eleição indireta, pode dificultar a vitória de um nome apoiado por Bezerra. Rogério Marinho (PL), líder da oposição, está entre os cotados para a disputa de outubro.
A base governista na Assembleia, composta por PT e PV, ocupa seis cadeiras, o mesmo número do PL. A coligação União Brasil e PP tem três cadeiras, e o PSDB, seis.
Em nota, Alves informou que o MDB apoiará os partidos Federação União Progressista (União Brasil e PP) e PSD. Ele também afirmou que ratificou o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, e com o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Uma situação semelhante ocorre no Rio de Janeiro, onde a provável renúncia do governador Cláudio Castro (PL) para disputar o Senado pode gerar uma disputa na Assembleia Legislativa do Estado (Alerj) pelo “governo-tampão”.
O pleito indireto aconteceria porque o Rio está sem vice-governador desde maio, após Thiago Pampolha renunciar ao cargo. O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi preso e afastado do cargo, e o novo presidente, Guilherme Delaroli (PL), não poderia assumir o governo por ser interino.