O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou, em 18 de março de 2026, o corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.
A decisão foi amplamente esperada pelo mercado de ações. Contudo, o petróleo opera em torno de US$ 100, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, enquanto a renda fixa brasileira ainda apresenta prêmios elevados.
Impacto da Selic
Mario Mariante, analista chefe da Planner Investimentos, afirmou que o impacto do corte na taxa Selic é marginal no curto prazo para ações, mas relevante na inclinação da curva. A estratégia não muda de forma abrupta, mas favorece uma rotação progressiva para ativos mais sensíveis a juros no médio prazo.
Ramiro Gomes Ferreira, cofundador do Clube do Valor, observou que, em um cenário normal, a Bolsa tenderia a se beneficiar dos cortes na taxa de juros. No entanto, com as incertezas no Oriente Médio afetando o petróleo, é difícil prever as movimentações de curto prazo dos preços dos ativos.
Mariante ressaltou que o investidor estrangeiro tem sido o principal suporte da B3. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã continua sendo o principal fator de influência na Bolsa.
Renda Fixa e Ações
Com juros ainda atrativos, a renda fixa segue com espaço na carteira dos investidores. Ferreira alertou para o custo de uma transição completa para a classe.
Chinchila reforçou o argumento com base no valuation atual das ações brasileiras. O Ibovespa apresenta múltiplos atrativos frente a pares emergentes, além de empresas com forte geração de caixa e disciplina de capital.
Onde Investir
Com a alta da commodity, ações ligadas a óleo e gás entram no radar. Na Terra Investimentos, a preferência é por Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3).
Fora do setor petroleiro, Mariante detalhou as preferências da Planner: no segmento de utilities destacam-se Sabesp (SPSB3) e Copel (CPLE6).
Chinchila destaca oportunidades em setores domésticos cíclicos, como Localiza (RENT3), Lojas Renner (LREN3) e Marcopolo (POMO4). Mariante menciona Telefônica Brasil (VIVT3), Totvs (TOTS3), Direcional (DIRR3), Eztec (EZTC3) e Multiplan (MULT3).
O principal risco permanece concentrado em empresas altamente alavancadas e sensíveis ao custo de crédito, como Cosan (CSAN3), MRV (MRVE3) e Braskem (BRKM5).
A decisão do Copom ocorreu em meio a um cenário de alta do petróleo e atratividade da renda fixa.