O mercado ilegal no Brasil registrou o maior valor já contabilizado em 2025, com um prejuízo estimado em R$ 473,2 bilhões. Os dados são de um levantamento do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP).
O valor inclui perdas de empresas e impostos não arrecadados pelo governo devido à venda de produtos contrabandeados, falsificados ou pirateados.
Dados do levantamento
Do total estimado, cerca de R$ 326,3 bilhões correspondem a perdas diretas da indústria. R$ 146,8 bilhões referem-se à evasão fiscal.
O estudo é realizado desde 2014 com base em dados de associações e empresas de 15 setores da economia. Cada setor calcula os prejuízos e repassa as estimativas ao FNCP.
Em 2020, o prejuízo estimado era de R$ 288 bilhões. O aumento em cinco anos foi de cerca de 64%, representando um crescimento de mais de R$ 180 bilhões.
O volume de recursos movimentados por esse tipo de atividade equivale a cerca de 3,75% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Setores com maiores perdas
Os setores com maiores perdas são vestuário (R$ 87,3 bilhões) e bebidas alcoólicas (R$ 83,2 bilhões). Combustíveis tiveram perdas de aproximadamente R$ 29 bilhões, e o mercado de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, cerca de R$ 21 bilhões.
Prejuízos significativos também foram registrados em defensivos agrícolas, material esportivo, óculos, celulares, brinquedos e serviços de TV por assinatura.
Setores como bebidas, cigarros, combustíveis e vestuário registraram maior crescimento das perdas. O FNCP aponta que a lucratividade da venda de produtos sem impostos impulsiona o mercado.
Quase R$ 147 bilhões deixaram de entrar nos cofres públicos em 2025 devido a essas atividades. Esse valor poderia ser usado em políticas públicas e investimentos em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Cigarros ilegais
Segundo o FNCP, o mercado ilegal se tornou uma importante fonte de financiamento para organizações criminosas. O presidente do FNCP, Edson Vismona, afirmou que o mercado ilegal se tornou mais estruturado e diversificado.
Cigarros contrabandeados são um dos principais produtos explorados. Em 2025, 31% dos cigarros vendidos no Brasil eram ilegais. No total, 32 bilhões de unidades circularam no país, movimentando cerca de R$ 10 bilhões para organizações criminosas.
Legislação e fiscalização
Especialistas apontam que o enfrentamento do mercado ilegal envolve fiscalização, ajustes na legislação e coordenação entre órgãos públicos.
Uma norma da Receita Federal permite a apreensão e retenção de mercadorias suspeitas de falsificação sem necessidade de decisão judicial imediata.
Empresas e autoridades aduaneiras também atuam em conjunto para identificar falsificações, com treinamentos para agentes de fiscalização.
O advogado Gabriel Amarante avalia que o combate ao contrabando depende de fatores econômicos e da capacidade do Estado de aplicar punições.
O mercado ilegal, com perdas que se aproximam de meio trilhão de reais por ano, representa um desafio crescente para a economia brasileira.