As taxas básicas de juros em patamares altos devem afetar o setor bancário no primeiro trimestre de 2026, segundo o Goldman Sachs.
A deterioração do crédito é vista como o principal ponto de debate. O Itaú, contudo, é apontado como o banco mais protegido, de acordo com a análise.
Projeções de rentabilidade
O Goldman Sachs projeta um ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de 24,9% para o Itaú no primeiro trimestre de 2026. As projeções para os demais bancos são: Santander Brasil (16,7%), Bradesco (15,3%) e Banco do Brasil (8,5%).
Santander Brasil
O Goldman Sachs estima um lucro líquido recorrente de R$ 4,0 bilhões para o Santander, uma queda de 1% em relação ao quarto trimestre de 2025 e um aumento de 5% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) deve cair para 16,7%, ante 17,2% no quarto trimestre de 2025 e 17,0% no primeiro trimestre de 2025.
O banco projeta uma expansão na receita líquida de juros, apesar da pressão contínua no mercado, que deve melhorar gradualmente ao longo do ano.
As provisões para perdas com empréstimos (+7% ante o 4T25, +3% ante o 1T25) também representam um risco, considerando a exposição do banco a casos de crédito corporativo.
O Itaú BBA projeta um lucro de R$ 4 bilhões.
Itaú Unibanco
O Goldman Sachs prevê que os lucros do Itaú crescerão 1% em relação ao trimestre anterior. A receita líquida de juros (NII) total deverá subir modestos 4% em relação ao ano anterior, para R$ 16,5 bilhões, com a NII de mercado ainda negativa.
O custo do risco deverá aumentar em relação ao trimestre anterior. O Goldman espera um ROE de 24,9%, ante 24,4% no quarto trimestre de 2025 e 22,5% no primeiro trimestre de 2025.
O Bradesco BBI espera lucro líquido de R$ 12,3 bilhões.
Bradesco
Para o Bradesco, o Goldman projeta provisões mais altas e receita líquida de juros de mercado moderada. A receita líquida de juros deve melhorar modestamente (+1% trimestre a trimestre). As provisões para perdas com empréstimos devem aumentar 6% trimestralmente e 23% anualmente.
O Itaú BBA projeta que o Bradesco apresentará melhorias, com lucro de R$ 6,7 bilhões (alta de 3% em relação ao trimestre anterior e 14% em relação ao ano anterior) e ROE de 15,4%.
Banco do Brasil
O Goldman ressalta que as provisões do Banco do Brasil permanecem sob pressão. Os analistas esperam uma contração no lucro antes dos impostos (-19% ante o 4T25, -53% na comparação anual).
O Banco do Brasil continua a absorver o impacto da deterioração do crédito rural, bem como as crescentes preocupações com o crédito corporativo e de varejo. O Goldman projeta que os lucros recorrentes diminuam 30% trimestralmente (-45% na base anual), com o ROE caindo para 8,5%, ante 12,4% no quarto trimestre de 2025 e 16,2% no primeiro trimestre de 2025.
O Itaú BBA projeta um lucro líquido de R$ 3,6 bilhões para o Banco do Brasil.
A qualidade dos ativos segue como principal preocupação, com inadimplência em alta no agronegócio e provisões elevadas.