Investigadores estão rastreando transações no exterior de Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, em meio à investigação sobre a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). A apuração foca em recursos em paraísos fiscais e outras regiões com regras financeiras menos rígidas. Um dos destinos na mira é Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A investigação faz parte do inquérito aberto em fevereiro, que apura suspeitas de gestão fraudulenta no BRB. A instituição, controlada pelo governo do Distrito Federal, apresentou proposta para aquisição do Master em março de 2025. O negócio foi barrado pelo Banco Central em setembro do mesmo ano. Dois meses depois, o banco foi liquidado e Vorcaro foi preso.
Pedido de Ressarcimento
O BRB solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que um eventual acordo de colaboração premiada envolvendo o Banco Master reserve valores para indenizar o banco por prejuízos na tentativa de aquisição da instituição. A Presidência do BRB enviou o pedido ao ministro André Mendonça em 2 de abril.
Vorcaro negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele já assinou um acordo de confidencialidade.
Interlocutores estimam que Vorcaro tenha cerca de R$ 10 bilhões alocados fora do país.
Na busca por recursos no exterior, o inquérito analisa informações de auditoria independente sobre falhas no processo de compra de carteiras do Banco Master pelo BRB. O documento responsabiliza 30 dirigentes da instituição, que foram afastados pelo BRB.
A investigação tem em mãos informações de nove celulares de Vorcaro, com cerca de 8 mil vídeos e 400 GB de dados.
Investigadores apuram supostos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na venda de carteiras de crédito do Master ao BRB, por um valor estimado entre R$ 12,2 bilhões e R$ 17 bilhões.
O comando do BRB foi trocado no fim de 2025. A nova administração iniciou uma auditoria para apurar possíveis irregularidades.
Em depoimento no fim de 2025, Vorcaro afirmou que tratou com o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a negociação envolvendo o Master e o BRB. Ibaneis afirmou que nunca falou com Vorcaro sobre a operação.


