Empresas estão concedendo bônus milionários a executivos que não são selecionados para o cargo de CEO, como forma de compensação e incentivo à permanência.
Quando a Walt Disney Company escolheu Josh D’Amaro para suceder Bob Iger como CEO no início de fevereiro, Dana Walden, que também era candidata ao cargo, recebeu um pacote de ações de US$ 5,26 milhões e uma remuneração anual de cerca de US$ 27 milhões.
Em 2023, o Morgan Stanley nomeou Ted Pick como CEO e pagou a Pick, Andy Saperstein e Dan Simkowitz, que estavam na disputa, bônus especiais de US$ 20 milhões cada.
Motivação das empresas
As premiações refletem a necessidade de reter talentos. A saída de um executivo de alto nível pode prejudicar as operações e os resultados financeiros da empresa.
Um relatório da consultoria FW Cook aponta que os pacotes de retenção têm efeito limitado, durando de dois a três anos.
O relatório analisou 100 grandes empresas americanas e identificou 47 que trocaram seus CEOs entre 2016 e 2020. Em cerca de um terço dessas empresas, os conselhos concederam pacotes de retenção para 39 executivos que não se tornaram CEOs.
As empresas foram mais propensas a conceder esses pacotes quando contrataram CEOs externos, sugerindo preocupação com a saída de executivos.
Executivos que recebem pacotes de retenção e deixam a empresa antes do esperado, geralmente perdem a parte sobre a qual ainda não adquiriram direito.
Os valores dos bônus variam entre US$ 1,6 milhão e US$ 5 milhões, com mediana em torno de US$ 3 milhões. O tempo médio de permanência é de pouco mais de quatro anos após a sucessão para quem recebe prêmios entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões.
Para aqueles que não recebem nenhum pacote, a saída da empresa costuma ocorrer no primeiro ano, de acordo com o relatório.
Além de bônus, outras práticas incluem oferecer novas oportunidades dentro da empresa. Dana Walden recebeu um bônus e foi promovida a presidente e diretora de criação da Disney.
Segundo Marco Pizzitola, consultor da FW Cook, a decisão final muitas vezes envolve dinheiro.