O dólar fechou abaixo de R$ 5 na última segunda-feira (14), atingindo um patamar que gera dúvidas nos investidores sobre a compra de ativos no exterior. Especialistas ouvidos pelo InfoMoney analisam o cenário e as estratégias a serem consideradas.
A discussão sobre investir lá fora depende da estratégia de cada investidor, segundo especialistas. Ignorar o momento pode ter custos no longo prazo.
Enfraquecimento do dólar
Paulo Monteiro, head da Gravus Capital, afirma que o cenário atual é de enfraquecimento do dólar. Ele menciona componentes estruturais ligados ao desequilíbrio fiscal americano e ao desgaste nas relações dos EUA com Europa e Ásia. O cenário interno brasileiro, incluindo o caso Master e as eleições, pode influenciar a valorização do real ou afastar investidores estrangeiros.
Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, projeta a continuidade da queda do dólar, com estimativa de chegar a R$ 4,80.
Oportunidade de entrada
Analistas concordam que o câmbio nesse patamar representa uma oportunidade para quem tem baixa exposição internacional.
Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, sugere uma abordagem gradual na dolarização. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, aponta que momentos de apreciação do real historicamente reduzem o custo de entrada em ativos globais.
Opções de investimento
As opções de investimento mencionadas incluem renda fixa americana de curto prazo, ações americanas, e ouro. Ações europeias também entram no radar.
Saadia destaca empresas de tecnologia americana, como Microsoft e Alphabet. Izac ressalta fundos com gestão ativa como alternativa. Lima sugere ações americanas, ETFs globais diversificados e renda fixa curta em dólar.
Posições existentes
Para quem já possui ativos internacionais, a orientação é não confundir a queda do dólar com perda real, caso o ativo tenha bom desempenho em dólar.
Rafael Marques, CEO da Philos Invest, ressalta que oscilações cambiais de curto prazo não justificam ajustes na carteira, a menos que haja desvio relevante da alocação-alvo.
Alocação em dólar
As recomendações sobre a porcentagem de alocação internacional variam. As sugestões estão entre 15% e 25% da carteira para o investidor de perfil moderado.
A alocação deve ser pensada com foco no longo prazo, e não como uma aposta na direção do câmbio.