Nesta sexta-feira (1º de maio de 2026), Creomar de Sousa, CEO da Dharma e professor da Fundação Dom Cabral, participou do programa Mapa de Risco, do InfoMoney. Ele abordou a dinâmica da disputa eleitoral de 2026 e a influência da emoção no comportamento do eleitor.
De Sousa afirmou que a eleição é moldada pela forma como grupos políticos explicam as frustrações do eleitor. Segundo ele, o eleitor é “uma criatura muito emotiva”, e essas emoções “se derivam das frustrações ou das pequenas alegrias do dia a dia”.
O professor destacou que o processo político busca estabelecer causalidade entre quem está no poder e a percepção do eleitor sobre sua vida estar “mais fácil ou mais difícil”. Para Creomar de Sousa, o debate tende a migrar para narrativas simples que conectam o cotidiano do eleitor a responsáveis claros.
O especialista indicou que o “desafio para Lula em 2026 é dizer que, se a vida não está boa, é porque os outros estão impedindo”. Ele descreveu que essa estratégia envolve tentar deslocar o foco das críticas para o Congresso e o Judiciário. A afirmação ocorre em um período em que o governo enfrenta dificuldades de articulação política e sua agenda tem registro de travamento no Legislativo.
Creomar de Sousa descreveu essa tentativa de reposicionamento como um “grande esforço” para “jogar a bomba no colo do Legislativo ou do Judiciário”, um conceito recorrente na política brasileira de terceirização da responsabilidade. Ele também mencionou que o governo precisa “dar respostas a essa memória” em relação a casos recentes, como investigações envolvendo o Banco Master, e depende do Judiciário para isso.
Apesar da proeminência da disputa narrativa, Creomar de Sousa afirmou que o governo ainda aposta no fator econômico como decisivo para o eleitor médio. Medidas como ampliação de crédito, renegociação de dívidas e propostas de impacto direto na renda permanecem sob análise para a recuperação de popularidade. Ele concluiu que a eleição tende a ser definida pela capacidade de cada lado de transformar insatisfação difusa em direção política clara, sobre quem consegue convencer o eleitor “de por que a realidade é como ela é”.
Programas de Governo
Em ações distintas, o governo do Presidente Lula planeja uma nova indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre após uma derrota histórica e o Presidente avalia indicar uma mulher para a vaga. A oposição pressiona para que a escolha seja adiada para depois das eleições.
Outra iniciativa é a ampliação de um programa de financiamento para a compra de caminhões e ônibus. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será o responsável por operacionalizar a linha de financiamento, que dispõe de um orçamento de R$ 21,2 bilhões. Desse total, R$ 14,5 bilhões virão do Tesouro Nacional.




