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Neil Redding: Autorregulação emocional e decisões na era da IA

A autorregulação emocional tornou-se uma habilidade central na era da inteligência artificial (IA), segundo o futurista Neil Redding. Em entrevista publicada em 10 de julho de 2026, ele destacou a transição dos seres humanos de executores para decisores no ambiente de trabalho, uma mudança que exige novas capacidades, especialmente no campo emocional.

Redding, que se apresenta como Near Futurist e Arquiteto de Inovação, explicou que o avanço da tecnologia tem levado robôs a ocupar postos em linhas de produção, com trabalhadores focados na manutenção e supervisão. Atualmente, a IA assume tarefas operacionais em escritórios, como processamento de documentos, atendimento inicial ao cliente, emissão de relatórios e geração de códigos.

Para o futurista, o desenvolvimento de qualidades como pensamento crítico, bom senso e capacidade analítica são cada vez mais demandados. Ele também defende que a autorregulação emocional, antes vista como “mística”, se torna um tema central, pois permite tomar boas decisões. Neil Redding estará no Rio Innovation Week em 6 de agosto, às 14h30, no Pier Mauá, no Rio de Janeiro.

O conceito de “clock drift” e a tomada de decisões

Neil Redding descreveu o termo “clock drift” como o descompasso entre a velocidade de execução proporcionada pela IA e a lentidão na tomada de decisões organizacionais. Ele exemplificou com a criação de uma ferramenta funcional em uma tarde, que pode levar semanas para ser aprovada em reuniões.

  • Startups utilizam essa diferença de velocidade como vantagem.
  • Em empresas grandes, o “clock drift” pode gerar uma “execução paralela”, onde ferramentas são desenvolvidas sem aprovação formal.
  • Grandes empresas precisam adotar uma mentalidade mais próxima das startups, que operam com menos impedimentos e executam mais rapidamente com a IA.

A responsabilidade pela qualidade dos resultados, antes concentrada em poucos, agora se estende a todos, já que uma única pessoa pode desenvolver uma ferramenta funcional rapidamente. Neste cenário, a qualidade da decisão se torna uma prioridade máxima.

Para profissionais em início de carreira, que antes aprendiam o operacional antes de decidir, é importante entender o funcionamento operacional para boas decisões. Redding sugere a prática de “delegar primeiro”, questionando como uma tarefa pode ser delegada a um agente de IA ou equipe, em vez de ser feita individualmente. A clareza sobre os objetivos que as empresas buscam alcançar também foi apontada como um fator crucial para o sucesso.

Avanço da IA física e robôs domésticos

Sobre a IA física, Redding observou o aumento de robôs na China e grandes encomendas de robôs humanoides para ambientes corporativos. Ele citou as “fábricas escuras”, que operam sem luz por serem ocupadas apenas por robôs.

No nível de assistência pessoal, o futurista acredita que robôs humanoides domésticos serão comuns em lares chineses abastados até o final da década, expandindo-se para outros países como Arábia Saudita e Emirados Árabes. Ele notou um maior entusiasmo cultural com a IA no Brasil em comparação com os Estados Unidos. O robô Optimus da Tesla foi mencionado com um custo de aproximadamente US$ 30 mil, e a expectativa é de queda nos preços e aumento da qualidade em cinco anos, de forma similar à popularização do iPhone em sua fase inicial.

A possibilidade de a própria IA criar startups, sem intervenção humana, foi abordada. Redding afirmou que, embora existam experimentos com agentes autônomos e meios de pagamento, o julgamento humano ainda será necessário no futuro previsível. Ele apontou a ausência de um arcabouço legal para lidar com entidades não humanas tomando decisões como um fator limitante para empresas totalmente autônomas.

Competências para “decisores” e Venture Capital

O perfil do “decisor” exige senso comum, ética e outras soft skills. Isso indica uma demanda por menos conhecimento técnico e mais por disciplinas como filosofia, sociologia e psicologia, além do autodomínio. A “desregulação” causada por fatores como as redes sociais afeta a capacidade de tomar boas decisões, ressaltando a importância do autodomínio.

No setor de venture capital, Neil Redding destacou que investidores continuam a focar nos fundadores e em sua capacidade de julgamento e decisão. Ele observou uma mudança no alocamento de capital para tokens de IA e a redução da necessidade de equipes grandes, onde cinco pessoas podem realizar o trabalho de 50. A estrutura de custos volátil dos tokens, que migraram de modelos subsidiados para precificação por uso, dificulta a estimativa de capital necessário.

O futuro segundo Neil Redding

Redding se descreve como um “futurista de curto prazo”, focado nos próximos 12 a 24 meses. Ele acredita que este período será crucial para que empresas se reorganizem e se adaptem à era da IA. Em cinco anos, ele prevê que o trabalho humano será predominantemente de decisão e delegação a agentes de IA, com dispositivos de IA física começando a compartilhar espaço com as pessoas, incluindo carros autônomos em cidades brasileiras.

Em um horizonte de 50 anos, ele projeta uma humanidade mais interdependente, que precisa desenvolver autorregulação e união entre nações para superar o que chama de “adolescência tecnológica”. O futurista concluiu que a IA pode funcionar como um “espelho” do “melhor da criação humana”, auxiliando as pessoas a se autorregularem e a se desenvolverem, o que pode levar a uma simbiose benéfica entre humanos e IA.

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