Em entrevista a Rafael Furlanetti, sócio-diretor institucional da XP, no programa Hot Market, da CNN Brasil, o ex-presidente da Petrobras, Pedro Parente, abordou o futuro da empresa e sugeriu o fechamento de capital.
Parente, que liderou a Petrobras durante um período de endividamento, mencionou que a retirada das ações da bolsa de valores pode blindar a empresa de ciclos políticos. Ele citou o exemplo da estatal petrolífera da Noruega, que opera sem interferência política.
Contexto da Dívida da Petrobras
Em 2016, quando Parente assumiu a presidência a pedido de Michel Temer, a empresa acumulava mais de US$ 125 bilhões em dívidas e vendia combustível abaixo do custo de importação.
A recuperação da empresa veio com a gestão por critérios econômicos e sem indicações políticas, segundo Parente. Ele afirmou que a Petrobras migrou do maior endividamento corporativo do planeta para se tornar uma das empresas mais lucrativas do mundo.
Parente destacou que a exposição ao ciclo eleitoral pode afetar os resultados da companhia a longo prazo. Ele explicou que uma empresa de capital aberto com controle estatal possui incentivos políticos que nem sempre se alinham com o retorno do acionista minoritário.
O executivo ainda mencionou que o fechamento de capital eliminaria essa pressão.
Parente também mencionou a venda da Refinaria Mataripe, na Bahia, ao Mubadala, fundo soberano dos Emirados Árabes. Ele argumentou que forçar preços abaixo do mercado envia um recado negativo a investidores.
O ex-presidente da Petrobras também discutiu a ausência de planejamento estratégico no Brasil e a gestão reativa dos ministérios.
Na sua visão, a falta de planejamento e a ausência de uma visão de país são os principais riscos sistêmicos.