A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Fallax, nesta quarta-feira, 25, que tem como alvo o CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis. A ação investiga crimes contra a Caixa Econômica Federal, além de estelionato, lavagem de dinheiro e fraudes bancárias que somam mais de R$ 500 milhões.
A Fictor informou, em nota, que assim que a defesa de Góis tiver acesso ao conteúdo da investigação, prestará esclarecimentos às autoridades competentes.
Busca e apreensão
A PF cumpriu 43 mandados de busca e apreensão, incluindo endereços ligados a Góis. O celular do executivo foi apreendido.
O ex-sócio da Fictor, Luiz Rubini, também é alvo de mandado de busca e apreensão. A defesa de Rubini informou que não teve conhecimento prévio do processo e se manifestará oportunamente.
Trajetória de Rafael Góis
Rafael Góis é graduado em Administração de Empresas pela Universidade Cândido Mendes (UCAM) e fez cursos na Fundação Dom Cabral (FDC), no Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPEAD-UFRJ) e na Harvard Business School.
Góis afirma ter mais de 25 anos de experiência nos setores industrial, financeiro e imobiliário. Ele iniciou sua carreira aos 16 anos no mercado financeiro, mas a única experiência profissional detalhada em seu perfil é na Fictor.
A Fictor foi fundada em 2007 como uma empresa de soluções tecnológicas. Atua na indústria alimentícia, em serviços financeiros e em infraestrutura.
Em 17 de novembro do ano passado, a Fictor anunciou um acordo para adquirir o Banco Master, em conjunto com investidores dos Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte, o Banco Central (BC) liquidou a instituição de Daniel Vorcaro e o negócio foi desfeito.
Em 1º de fevereiro, o Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest, com dívida de R$ 4 bilhões. A companhia solicitou a suspensão e o bloqueio das cobranças por 180 dias.
Investigação da PF
A investigação da PF, iniciada em 2024, identificou um esquema de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro.
A organização criminosa cooptava funcionários de instituições financeiras e usava empresas de fachada. Há indícios de que parte dos valores tinha origem em células criminosas vinculadas ao Comando Vermelho (CV).
A investigação apontou que os responsáveis pela Fictor atuaram como núcleo de sustentação financeira e operacional da organização criminosa. A atuação consistia na injeção de recursos para simular movimentações financeiras entre empresas vinculadas à organização, criando artificialmente aparência de liquidez. O grupo também atuava na criação e gestão de empresas de fachada.




