A planta de gás natural liquefeito (GNL) de Ras Laffan, no Catar, foi fechada no início do mês após um ataque de drone iraniano. Bombardeios subsequentes danificaram instalações de gás natural no Catar e nos Emirados Árabes Unidos, segundo o texto base.
A interrupção do fornecimento global de energia é agravada pela crise no Oriente Médio. O fechamento do estratégico Estreito de Hormuz impacta os preços da gasolina e do querosene de aviação. A falta de gás de cozinha gera problemas na Índia, e agricultores demonstram preocupação com o diesel e fertilizantes.
Impactos da crise energética
A falta de gás pode forçar o mundo a usar menos do combustível, impactando usinas termelétricas e fábricas. A crise energética de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, alterou os fluxos globais de gás. A interrupção no fornecimento de GNL pode durar meses ou anos.
A crise pode apagar o excedente global de gás esperado para este ano. Uma interrupção superior a um mês pode gerar um déficit. Uma interrupção de três meses pode se tornar a maior paralisação de GNL na história da indústria.
Países da Ásia, que compram quatro quintos do GNL do Catar, já sentem os efeitos da escassez. O Paquistão, dependente do Catar para 99% de suas importações de GNL, pode não ter gás suficiente a partir de meados de abril.
A produção têxtil do Paquistão enfrenta dificuldades. O GNL é usado tanto para geração de energia nas fábricas quanto para calor no processamento. O mesmo cenário se repete em outros países asiáticos.
Economias emergentes podem reconsiderar seus planos de expansão do GNL. Uma carga de GNL com destino à Ásia custa cerca de US$ 80 milhões, mais do que o dobro do preço antes da guerra.
Filipinas e Vietnã pausaram compras adicionais, enquanto empresas indianas enfrentam operações mais caras. O Paquistão acelera esforços para cortar o consumo.
A crise pode levar à maior dependência do carvão, combustível mais poluente. Autoridades filipinas negociam mais carvão com a Indonésia, e a Índia espera queimar um volume recorde do combustível.
Um fechamento prolongado no Catar pode forçar países desenvolvidos da Europa e da Ásia a reduzir o consumo. A União Europeia busca diversificação de fontes de suprimento. A China também intensificou o foco em diversificação.
O mercado de GNL opera com contratos de décadas. O armazenamento é caro e leva tempo para ser construído. Não há uma rede global de reservas estratégicas.
A crise atual é comparável à de 2022 e ao desastre de Fukushima, que aumentou o consumo de GNL. Os preços do gás dispararam, mas ainda não atingiram o pico de quatro anos atrás.
Taiwan corre para assegurar cargas de gás, enquanto a Coreia do Sul aumenta o uso de carvão. O risco real começa no verão, quando os estoques precisam ser reabastecidos.
A turbulência no Golfo Pérsico beneficia outros grandes produtores, como Austrália e EUA. Projetos de plantas no Alasca, apoiados por Donald Trump, podem se tornar viáveis.
A Venture Global Inc. e a QatarEnergy podem expandir seus investimentos. A Rússia também pode se beneficiar da situação, fornecendo GNL para a China.
Europa e Ásia correm o risco de competir por oferta escassa. A Europa garante grande parte de seu suprimento no mercado à vista. Países menos abastados podem ser excluídos.
A crise atual afeta o mercado global de gás, gerando impactos em diversas economias.



