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Kharg: Ilha iraniana de petróleo é alvo em potencial em meio a tensões

Em 1988, Donald Trump mencionou em entrevista que, caso o Irã atacasse forças dos Estados Unidos, ele atacaria a Ilha de Kharg.

Quase 40 anos depois, a ilha, que Trump descreve como a “joia da coroa” do Irã, tornou-se central na disputa entre EUA e Israel contra Teerã.

Ameaças e Ataques

Na segunda-feira (16), Trump renovou a ameaça de atacar a infraestrutura de petróleo em Kharg após o Exército americano bombardear alvos militares na ilha na semana anterior. Ele afirmou que levaria tempo para reconstruir a região.

Na sexta-feira, Trump afirmou em redes sociais que ataques aéreos dos EUA “obliteraram” alvos militares na ilha. Segundo ele, os Estados Unidos poderiam atingir a infraestrutura de petróleo de Kharg se o Irã interferir na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.

Riscos de Intervenção

Um ataque ou tentativa de tomar a ilha poderia diminuir a capacidade do Irã de obter receita com seus recursos naturais. No entanto, poderia elevar os preços de energia, o que traria problemas econômicos e políticos.

Clayton Seigle, especialista em energia do Center for Strategic and International Studies (CSIS), avalia que o Irã tem evitado atacar alvos de petróleo e gás, preservando espaço para escalar o conflito.

Richard Goldberg, conselheiro sênior da Foundation for Defense of Democracies, argumenta que uma operação em Kharg só faria sentido se os riscos para as tropas americanas fossem aceitáveis e se os EUA tivessem controle sobre o petróleo.

Ações contra a infraestrutura de petróleo da ilha poderiam enfraquecer o regime iraniano e aumentar as chances de uma revolta popular. Cortar a capacidade de exportação via Kharg poderia retirar petróleo do mercado global.

Impacto no Mercado

Antes do conflito, cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do Irã passavam pela ilha. O preço do barril já ultrapassa US$ 100.

O Irã continua enviando navios-tanque pelo Estreito de Ormuz. Imagens de satélite mostram navios-tanque atracados em Kharg.

James M. Acton, codiretor do programa de política nuclear do Carnegie Endowment for International Peace, avalia que o controle do estreito se tornou um ponto de pressão tão poderoso que o regime dificilmente recuaria.

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