O fluxo de capital estrangeiro para a América Latina em 2026, o maior desde 1991, gerou preocupações sobre a complacência fiscal na região, de acordo com Bruno Bak, head da mesa Artax da Itaú Asset. A avaliação foi feita no programa Stock Pickers.
Bak observa que governos podem optar pela inércia, enquanto as avaliações de ativos se tornam menos atrativas para novos investidores.
Dólar e mercados emergentes
O gestor dividiu o ciclo do dólar em três fases. Até o chamado Liberation Day, o investidor estrangeiro alocado nos EUA era protegido mesmo em correções de bolsa. A partir daí, a correlação se rompeu.
Com o Liberation Day, a bolsa americana caiu ao mesmo tempo em que o dólar se enfraqueceu, forçando uma revisão global de portfólios. O capital passou a buscar outras geografias.
Bak projeta um cenário favorável aos emergentes, mas com ressalvas. O gestor aponta que a janela aberta não está sendo aproveitada pelas políticas domésticas da região.
Exemplos e perspectivas
No México, o Banxico sinaliza cortes de juros mesmo com inflação acima da meta. Na Colômbia, com eleições em andamento, não há ações para corrigir a situação fiscal.
O Chile se destaca como exceção. O país, recém-eleito com promessa de consolidação fiscal, viu sua moeda se valorizar e a bolsa subir.
A entrada de capital externo nos primeiros meses de 2026 inflou os valores das maiores empresas da bolsa brasileira, com destaque para commodities, bancos e empresas com maior liquidez.
O capital que chegou é majoritariamente de hedge funds e ETFs, com horizonte curto, podendo sair rapidamente do mercado.



