O mercado de crédito privado brasileiro enfrenta um período de transição. Segundo Felipe Vidal, gestor de fundos da Sparta Investimentos, o foco de atenção na carteira passou do risco de calote para o risco de marcação a mercado.
Em entrevista ao InfoMoney, Vidal detalhou a visão da gestora sobre o momento atual, que é marcado por prêmios de risco comprimidos, desaceleração no fluxo de novos recursos para os fundos e a perspectiva de um mercado primário menos aquecido em 2026.
Impacto nos fundos
Vidal explicou que, com os prêmios comprimidos, o mercado perdeu a capacidade de absorver oscilações. Em ativos de longo prazo com spreads comprimidos, uma elevação de 10 a 20 pontos-base pode resultar em um retorno abaixo do CDI naquele mês.
Essa dinâmica gerou volatilidade, diferente do que o investidor pessoa física estava acostumado. A performance média dos fundos em alguns meses ficou abaixo do CDI.
Resgates em fundos
A Sparta observou que uma amostra representativa de fundos de crédito registrou resgates líquidos de R$ 3 bilhões recentemente. O número contrasta com a captação líquida que, com frequência, superava R$ 20 bilhões mensais.
A gestora mantém o nível de caixa de seus fundos em patamares elevados há mais de um ano.
Mercado primário
A Sparta projeta um 2026 menos aquecido no mercado primário. Após um 2025 com emissões recordes, os primeiros meses de 2026 mostraram-se mais fracos.
Vidal cita três fatores principais. O primeiro é a sazonalidade. O segundo é que as empresas já aproveitaram a janela favorável do ano anterior para captar. O terceiro fator é o calendário político. Anos eleitorais tendem a ter emissões concentradas no primeiro semestre.
A retração na oferta pode equilibrar o nível de preço, conforme o gestor.