O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que não alteraria as decisões tomadas à frente do Ministério e que deve deixar o cargo na semana seguinte à entrevista. A declaração foi dada em entrevista ao Opera Mundi na noite de sexta-feira (13).
Haddad assumiu a gestão em janeiro de 2023. Ele fez um balanço de sua gestão, que incluiu o desenho do novo arcabouço fiscal, a condução da reforma tributária sobre o consumo e a renda, e medidas para aumentar a arrecadação. Haddad também rebateu críticas à condução da política tributária, argumentando que o governo buscou cobrar impostos de grupos que, segundo ele, não eram tributados.
Saída do cargo
A decisão de deixar o cargo, segundo Haddad, foi tomada após a piora do cenário político. A ideia inicial era se dedicar à elaboração do plano de governo para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a mudança no ambiente político alterou esse plano.
Haddad indicou confiança na transição no comando da Fazenda. O nome mais cotado para substituí-lo é o do atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. Haddad disse que deixará o ministério em “boas mãos”.
A Reuters informou que a candidatura de Haddad para um cargo em São Paulo será oficializada na quinta-feira (19).
Cenário econômico
Haddad voltou a demonstrar preocupação com o nível dos juros, apesar da desaceleração da inflação. Segundo ele, a reforma tributária, com entrada em vigor prevista para o ano que vem, poderá impulsionar ainda mais a atividade. O Copom decide por um provável corte da Selic na quarta-feira (18).
Sobre a alta do petróleo em meio à guerra no Irã, o ministro disse não ver motivo para grande preocupação. Haddad afirmou que a elevação dos preços tem potencial inflacionário, mas também pode ampliar a arrecadação, já que o Brasil é um grande produtor de petróleo.
Na quinta-feira, Lula assinou medida provisória que zera PIS e Cofins sobre o diesel, prevê o pagamento de subvenção a produtores e importadores e cria um imposto de exportação sobre petróleo.