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Bancos terão de aportar R$ 55 bi no FGC após liquidação de Master e Will

Após a liquidação do Banco Master e da Will Financeira, bancos brasileiros precisarão destinar recursos para recompor o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Estimativas da agência de classificação de risco Moody’s indicam que o pagamento das garantias aos investidores fará com que os recursos do fundo fiquem abaixo do índice mínimo de cobertura. A Moody’s não prevê riscos sistêmicos materiais.

Recomposição do FGC

O déficit do FGC, após os pagamentos, pode chegar a R$ 55 bilhões em comparação ao índice mínimo de cobertura, de 2,5% dos depósitos segurados. O fundo poderá usar soluções como antecipação de contribuições futuras, sobretaxas temporárias e alíquota de 0,01% mensal sobre depósitos segurados.

Impactos no mercado

A redução de R$ 55 bilhões na liquidez do sistema pode gerar um efeito anual de mais de R$ 8 bilhões na receita líquida de juros, o que corresponde a 2,1% do total reportado nos 12 meses até setembro de 2025, de acordo com a Moody’s.

O conselho do FGC deve utilizar uma combinação de antecipação de contribuições ordinárias e uma sobretaxa temporária de 50% sobre a contribuição ordinária, até que a liquidez seja restabelecida. A Moody’s avalia que pode haver aumento da aversão ao risco em bancos de médio porte.

Em setembro de 2025, o volume total em circulação de letras financeiras era de R$ 658 bilhões, alta de 57% em três anos, dos quais 55% foram emitidos pelos maiores bancos.

O Banco Central do Brasil (BCB) e o FGC estão reavaliando a metodologia para calcular os limites do fundo de seguro de depósitos. A revisão, feita a cada quatro anos, considera a evolução dos depósitos elegíveis, os perfis de risco dos participantes e a participação dos depósitos segurados no sistema.

A metodologia atualizada pode levar a prêmios de seguro de depósitos estruturalmente mais altos, em especial para bancos menores. Além disso, haverá contribuições adicionais para recompor o fundo, aumentando os custos de captação em todo o sistema.

Posicionamento da ABBC

Leandro Vilain, presidente da Associação Brasileira dos Bancos (ABBC), que reúne instituições de menor porte, afirmou que ainda é prematuro avaliar o impacto do aumento das contribuições ao FGC sobre os bancos.

O presidente da ABBC espera que a recomposição ocorra em um prazo de 60 a 90 dias, visto que o fundo já está pagando os credores do Master e do Will Bank. Ele mencionou que não há preocupação significativa com o custo maior da recomposição.

Vilain considera positivas as mudanças aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional para o FGC, como a garantia de maior acesso do fundo aos dados de operações dos bancos. Agora, as instituições associadas ao FGC devem autorizar o compartilhamento de dados com o fundo e com o Banco Central.

Outra mudança foi a autorização para o FGC divulgar relatórios ao público sobre as instituições seguradas e sobre os instrumentos financeiros garantidos. As normas autorizam a publicação de relatórios com o perfil de captação da instituição financeira.

O FGC pode divulgar dados para acompanhamento e avaliação de riscos.

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