Países da União Europeia aprovaram nesta sexta-feira (9) um acordo comercial com o Mercosul, pavimentando o caminho para que o bloco europeu assine, na próxima semana, o maior tratado de livre-comércio de sua história. A decisão foi formalizada em reunião de embaixadores da UE em Bruxelas, conforme informaram agências de notícias.
Aprovação em Bruxelas e Próximos Passos
A aprovação ocorreu apesar da oposição da França e de outros países. Os países da UE têm até as 13h (horário de Brasília) para confirmar seus votos por escrito. O acordo ainda precisa da aprovação do Parlamento Europeu para entrar em vigor.
Contexto da Negociação
O acordo, que encerra 26 anos de negociações entre a Comissão Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), prevê a criação da maior área de livre-comércio do mundo, com cerca de 700 milhões de pessoas. A Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda votaram contra o acordo, enquanto a Bélgica se absteve.
Salvaguardas e Mecanismos de Proteção
O apoio dos países da UE veio após a adoção de uma salvaguarda que permite monitoramento do mercado agrícola europeu. As medidas preveem mecanismos automáticos de proteção em caso de aumento significativo de importações do Mercosul. A Itália solicitou a redução do percentual de importações que serve de gatilho de 8% para 5%, mas não se sabe se essa alteração será incorporada ao texto final.
Impactos e Próximos Desdobramentos
O acordo é visto por Bruxelas como um avanço geopolítico, especialmente diante do aumento da participação da China no comércio e influência na América Latina. Setores como o automotivo, aviação, máquinas e exportações agrícolas europeias devem ser beneficiados. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar ao Paraguai na próxima semana para assinar o acordo. Partes do acordo que extrapolam a política comercial também terão de passar pelos parlamentos nacionais dos países da União Europeia.
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