A recente instabilidade na Venezuela, marcada pela captura do presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, elevou o país ao centro das atenções dos mercados latino-americanos. A incerteza sobre o desfecho político acentua riscos e oportunidades em toda a região, especialmente para companhias com exposição ao ambiente econômico venezuelano e a mudanças geopolíticas.
Impactos regionais na produção de petróleo e fluxos comerciais
Segundo o Bradesco BBI, a economia venezuelana permanece altamente incerta. Em todos os cenários, a produção de petróleo do país, atualmente em 1 milhão de barris por dia, mesmo sendo uma fração de seu pico histórico, impacta principalmente os mercados regionais no curto prazo, sem efeito imediato relevante nos preços globais de petróleo. As movimentações geopolíticas intensificam vulnerabilidades e oportunidades de mercado na América Latina, com potenciais repercussões sobre fluxos comerciais, migração, integração logística e consumo.
Ações listadas e países mais expostos à crise venezuelana
A Venezuela está fora do radar de ações de bolsas estrangeiras desde 1998. Sua economia em dólares hoje equivale à de 45 anos atrás, enquanto a América Latina cresceu oito vezes no mesmo período. O BBI compilou uma cesta de 10 ações listadas no exterior com maior sensibilidade à crise venezuelana, incluindo empresas como Rand Mining, Gran Tierra Energy, Tullow Oil, Maurel & Prom, Telefônica, BBVA, Coca‑Cola FEMSA, Credicorp, Cemargos e Grupo Nutresa. A ligação dessas companhias com o caso venezuelano é, em muitos casos, indireta, mas relevante, pois mudanças na dinâmica regional afetam expectativas de crescimento, fluxos de investimento e avaliação de risco.
O impacto mais imediato se concentra em países geograficamente e economicamente próximos à Venezuela, como a Colômbia. Empresas colombianas de alimentos, utilities e bancos podem capturar oportunidades ligadas a uma eventual reconexão comercial e redução das pressões migratórias. O valor anual das exportações colombianas para a Venezuela é de cerca de US$ 1 bilhão. O UBS vê implicações imediatas limitadas para os ativos locais nos principais mercados da região (Brasil, México, Chile, Colômbia, Peru e Argentina), mas sugere que investidores reavaliem cenários de risco extremo.
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