A transformação de ciência em negócio é um processo extenso, que envolve pesquisa, validação tecnológica, regulação e investimento. Mulheres que atuam em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) frequentemente enfrentam desafios adicionais, como ocupar espaços majoritariamente masculinos e provar sua credibilidade em ambientes técnicos.
A experiência de empreendedoras
Daniele de Mari, CEO e fundadora da Neurogram, relatou dificuldades para obter investimentos nos primeiros anos da startup, com a ausência de um rosto masculino em suas apresentações. Formada em neurociência pela Georgia Tech, ela desenvolveu uma plataforma online de eletroencefalograma (EEG). A Neurogram levantou US$ 3 milhões em sua terceira rodada de investimento, liderada pela Headline, em 2025.
Desigualdade desde a formação
A desigualdade de gênero se manifesta desde a formação. Em 2023, apenas 26% dos estudantes de cursos STEM no Brasil eram mulheres, segundo dados do Inep e do Censo da Educação Superior. Daniella Castro, CTO e cofundadora da Huna, afirma que o viés de gênero na infância impacta o futuro das mulheres.
O Impa Tech, curso do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), reserva 25% das vagas para meninas. O projeto “Meninas e Mulheres na Ciência” do Inatel, lançado em 2025, busca aumentar a representatividade feminina em tecnologia.
Barreiras no mercado de trabalho
Isis Abbud, co-CEO e cofundadora da Qive, percebeu a presença reduzida de mulheres em Engenharia de Produção, onde havia poucas mulheres em uma turma com mais de 50 alunos. Ela relata que precisou demonstrar desempenho superior para obter oportunidades. Nara Bobko, gerente acadêmica do Impa Tech, aponta que o desempenho das estudantes que entraram por reserva de vagas é similar ao dos homens.
Desafios estruturais
Cláudia Schulz, CEO da Abstartups, destaca que mulheres enfrentam dificuldades para captar investimento em comparação com equipes predominantemente masculinas. Barreiras culturais e comportamentais impactam a percepção de risco por parte de investidores. A executiva aponta o fortalecimento de redes de apoio e programas de capacitação como estratégias para aumentar a participação feminina.
Verônica Taquette, CEO da Maravi, relatou ter sentido diferença de tratamento no mercado financeiro por ser mulher. Daniele de Mari buscou um sócio para ter um homem em suas apresentações.
Duda Franklin, engenheira biomédica e neurocientista fundadora da orby.co, afirma que mulheres jovens em áreas técnicas precisam provar sua capacidade repetidamente. Ela também enfrentou desafios relacionados à cor da pele.
A maternidade foi vista por Verônica como uma forma de desenvolver novas habilidades de gestão.
Empreendedoras relatam dificuldades em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), incluindo acesso a capital e preconceito.



