A Serasa Experian divulgou dados sobre o setor de agronegócio. Em 2025, foram registrados 1.990 pedidos de recuperação judicial, o maior número desde 2021, quando a consultoria começou a monitorar o setor. O aumento foi de 56,4% em comparação com 2024.
Segundo a Serasa Experian, o cenário de 2025, com juros altos e margens apertadas, pressionou a saúde financeira dos produtores, especialmente os endividados.
Impacto no fluxo de caixa
De acordo com Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o ambiente de crédito mais restritivo, combinado aos custos elevados de produção e alta alavancagem, impactou o fluxo de caixa das operações rurais.
O Brasil colheu uma quantidade recorde de grãos em 2025, e a agropecuária teve um aumento de 11,7% no Produto Interno Bruto (PIB), conforme o IBGE. Contudo, as cotações em queda dos grãos, aliadas à alta dos insumos e juros, comprimiram as margens de lucro dos produtores desde a safra 2023/2024.
Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), afirmou que a produção recorde não será suficiente para melhorar a situação financeira devido aos juros elevados.
O monitoramento da Serasa Experian inclui pedidos de recuperação judicial de produtores pessoas físicas e empresas agrícolas. Em 2025, os produtores rurais pessoas físicas registraram 853 pedidos, um aumento de 50,7% em relação a 2024. As empresas rurais registraram 753 pedidos, um aumento de 84,1%. As empresas do agronegócio, como lojas de insumos, registraram 384 pedidos, um aumento de 29,3%.
Impacto nos bancos
A crise financeira do agronegócio atingiu os balanços financeiros dos bancos públicos, como Banco do Brasil (BB) e Caixa.
A Caixa informou que os créditos do agronegócio considerados problemáticos em sua carteira triplicaram em um ano, de R$ 4 bilhões para R$ 12 bilhões. O lucro líquido recorrente do banco diminuiu 39,6% no quarto trimestre de 2025, atingindo R$ 2,8 bilhões.
A presidente do BB, Tarciana Medeiros, atribuiu a queda do lucro da instituição em 2025 ao aumento da inadimplência no agronegócio, que ficou 500% acima da média histórica. O BB registrou um lucro de R$ 20,7 bilhões em 2025, uma queda de 45,4% em relação a 2024, o menor resultado desde 2020.


