Em participação na Expert Trader XP ao lado de Raphael Figueredo, Ralph Acampora compartilhou detalhes de sua trajetória e como contribuiu para a análise técnica ser reconhecida em Wall Street.
Acampora, que iniciou seus estudos para o sacerdócio, teve sua vida transformada após um acidente de carro em 1967. O evento o aproximou do mercado financeiro, levando-o a buscar uma carreira na área.
Início no Mercado Financeiro
Após o acidente, Acampora conseguiu uma entrevista na Smith Barney. A vaga era para analista júnior, sem exigência de experiência.
Segundo Acampora, o livro “Edwards e Magee” mudou sua vida, tornando-se a base de seus estudos em análise técnica.
Análise Técnica e a Rejeição Inicial
No final da década de 1960 e início de 1970, a análise fundamentalista dominava Wall Street. Os profissionais de análise técnica enfrentavam desdém.
Acampora, junto com Johnny Brooks, fundou a Market Technicians Association, que mais tarde se consolidou como CMT Institute. A iniciativa visava dar identidade e reconhecimento à disciplina.
A Luta por Reconhecimento
Em 2004, durante a implementação da Sarbanes-Oxley, a SEC passou a exigir novas provas para analistas, o que gerou reação de Acampora.
Acampora defendeu que analistas técnicos fossem avaliados a partir de seu próprio corpo de conhecimento. Ele argumentou que o preço é o fato principal na análise técnica.
A SEC reconheceu formalmente dois perfis de analistas em Wall Street: o fundamentalista, associado ao CFA, e o técnico, associado ao CMT.
A relevância de Acampora reside em ter ajudado a mudar o status da análise técnica na indústria, transformando-a em uma disciplina reconhecida.
Acampora defende a “fusion analysis”, uma abordagem que integra fundamentos e preço. Para ele, o investidor deve considerar a empresa e o que o preço indica.
Acampora ressalta que o preço continua no centro da análise, mesmo em mercados voláteis e automatizados. Ele enfatiza a importância de analisar o preço em primeiro lugar.
Acampora fez uma analogia comparando as tendências às linhas pintadas nas estradas, que ajudam a manter o motorista na direção correta.
Acampora ajudou a organizar a comunidade técnica, a institucionalizar a disciplina e a conquistar reconhecimento regulatório.
Atualmente, Acampora continua a defender a análise técnica, integrando-a com a análise fundamentalista.



