A Raízen solicitou recuperação extrajudicial em março de 2026, conforme divulgado pelo InfoMoney. O pedido ocorreu após a empresa acumular endividamento e registrar perdas financeiras nos últimos anos.
A crise da Raízen foi influenciada por investimentos em projetos de transição energética, com retornos mais lentos do que o esperado, além de apostas em áreas distantes do negócio principal. As condições climáticas adversas e juros altos também impactaram a companhia.
Origens da Raízen
A Raízen foi criada em 2011, a partir de uma joint venture entre Shell e Cosan, controlada por Rubens Ometto. A empresa se estabeleceu como produtora global de etanol de cana-de-açúcar e atuante no setor sucroalcooleiro brasileiro.
A partir de 2016, a Raízen investiu em projetos de longo prazo financiados com dívida.
Impactos Financeiros
O consultor de Estratégia e M&A da StoneX, José Luiz Mendes, explicou que a estratégia da empresa funcionou quando os juros estavam baixos. Ele destacou que o aumento da Selic e fatores como clima desfavorável, preços e custos financeiros, resultaram em crise.
A empresa investiu em projetos de etanol de segunda geração (E2G). O mercado, contudo, não pagou o prêmio esperado na velocidade projetada.
A diversificação excessiva, incluindo trading, energia solar e parceria para explorar lojas Oxxo no Brasil, também foi apontada como um fator. A perda de valor da Cosan em ações da mineradora Vale, influenciou na capacidade de apoio à Raízen, segundo Mendes.
Resultados e Endividamento
Em 2021/2022, a Raízen teve lucro líquido de R$ 3 bilhões, com endividamento de R$ 13,8 bilhões. No balanço de 2025/2026, o prejuízo somou R$ 15,6 bilhões até o terceiro trimestre. A dívida líquida alcançou R$ 55,322 bilhões, e a alavancagem subiu para 5,3 vezes. O pedido de recuperação extrajudicial foi motivado por dívidas financeiras de aproximadamente R$ 65,1 bilhões.
A empresa planejava focar em produção de açúcar e etanol, além da distribuição de combustíveis e lubrificantes.
Linha do Tempo da Crise
- 2011: Cosan e Shell anunciam joint venture, criando a Raízen.
- 2016: Início da expansão e aposta em etanol de 2ª geração (E2G).
- Agosto/2020: Raízen anuncia joint venture com a Femsa, para lojas Oxxo.
- Agosto/2021: Realização do maior IPO do ano, movimentando R$ 6,9 bilhões.
- 2021: Compra da Biosev por R$ 3,6 bilhões.
- 2021: Início da construção de novas plantas de E2G.
- 2022: Lucro líquido de R$ 3 bilhões e endividamento de R$ 13,8 bilhões.
- Dezembro/2022: Itaú compra ações da Cosa Nove por R$ 4,115 bilhões.
- 2023: Lucro líquido de R$ 3,9 bilhões; endividamento de R$ 20,4 bilhões.
- 2024: Lucro líquido cai para R$ 1,3 bilhão; dívida líquida de R$ 19,154 bilhões.
- Abril/2024: Venda de projetos de geração solar distribuída para a Élis Energia.
- Novembro/2024: Venda de usinas de cana para a Alta Mogiana. Nelson Gomes substitui Ricardo Dell Aquila Mussa como diretor presidente.
- 2025: Prejuízo líquido de R$ 4,2 bilhões; endividamento sobe para R$ 34,2 bilhões.
- Janeiro/2025: Cosan vende participação na Vale por R$9,1 bilhões.
- Março/2025: Raízen recompra participação do Itaú na Cosa.
- Maio/2025: Venda da Usina de Leme.
- Junho/2025: Anunciada cisão entre Raízen e Raízen Energia.
- Julho/2025: Descontinuação da Usina Santa Elisa e venda de ativos.
- Agosto/2025: Venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo.
- Setembro/2025: Separação entre Raízen e Femsa; capitalização na Cosan.
- Novembro/2025: Venda da usina Continental. Empresa perde grau de investimento pela Moody’s.
- Fevereiro/2026: Prejuízo de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre; S&P e Fitch retiram grau de investimento.
- Março/2026: Venda de projetos solares e pedido de recuperação extrajudicial.
A empresa solicitou recuperação extrajudicial após as negociações entre os sócios sobre a capitalização falharem.



