A produção de petróleo do Iraque nos principais campos petrolíferos do sul caiu 70%, para 1,3 milhão de barris por dia, em decorrência da guerra com o Irã e o consequente bloqueio do Estreito de Ormuz. A informação foi divulgada neste domingo, 8 de março de 2026, por fontes do setor.
A produção dos campos estava em torno de 4,3 milhões de barris por dia antes do conflito.
De acordo com um funcionário da Basra Oil Company (BOC), empresa estatal que gerencia as operações de produção e exportação dos campos do sul, o armazenamento de petróleo bruto atingiu a capacidade máxima. A produção restante após o corte será utilizada para abastecer as refinarias do país.
Impacto no Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é uma rota marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Ele transporta cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito.
As exportações do Iraque, membro da Opep, também sofreram queda, registrando uma média de cerca de 800.000 barris por dia neste domingo. Apenas dois navios-tanque estavam carregando, pois as embarcações não conseguem transitar livremente pelo estreito para os terminais do sul do Iraque, informou uma fonte.
Duas autoridades do setor de petróleo com conhecimento direto das operações do terminal afirmaram que as exportações locais podem parar completamente por volta das 20h (horário local), caso não cheguem novos navios-tanque aos terminais do sul do Iraque.
Em fevereiro, as exportações de petróleo do Iraque a partir dos campos petrolíferos do sul somaram 3,334 milhões de barris por dia, segundo um documento do Ministério do Petróleo.
A queda na produção e nas exportações de petróleo poderá afetar as finanças do país, que dependem das vendas de petróleo bruto para a maior parte dos gastos públicos e mais de 90% de sua receita.
Uma autoridade de alto escalão do Ministério do Petróleo iraquiano descreveu a situação como a mais grave ameaça operacional que o Iraque enfrentou em mais de 20 anos.