A Polícia Federal deflagrou, na quarta-feira, 25, a Operação Fallax, que investiga uma organização criminosa por crimes contra a Caixa Econômica Federal. O CEO e fundador do Grupo Fictor, Rafael Góis, é um dos investigados.
A investigação, iniciada em 2024, apura fraudes bancárias, lavagem de dinheiro e estelionato. As fraudes superam R$ 500 milhões.
Buscas da PF
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na manhã de quarta-feira. O celular de Rafael Góis foi apreendido.
O ex-sócio do Grupo Fictor Luiz Rubini também é alvo de buscas da Polícia Federal. Ele é defendido pelo criminalista Rodrigo De Grandis.
A assessoria de Luiz Rubini informou que a defesa não tinha conhecimento prévio do processo.
Esclarecimentos do Grupo Fictor
Em nota, o Grupo Fictor afirmou que, assim que a defesa de Rafael Góis tiver acesso ao conteúdo da investigação, irá prestar esclarecimentos às autoridades.
A atuação da organização criminosa
A organização criminosa atuava com a cooptação de funcionários de instituições financeiras e o uso de empresas de fachada. Havia uma estrutura financeira associada para movimentar recursos ilícitos.
A PF identificou que a organização criava empresas fictícias com capital social simulado, objeto social genérico e sócio único para obter crédito de forma fraudulenta.
A dinâmica criminosa envolvia a cessão de dados pessoais, a constituição de empresas fictícias, a elaboração de documentação contábil fraudulenta, a manipulação de faturamento, o uso de certificados digitais e a participação de gerentes bancários.
O modelo operacional previa o uso temporário das empresas, com cumprimento inicial das obrigações e posterior inadimplência, dificultando a recuperação dos valores pelas instituições financeiras.
Prejuízos
Há indícios de prejuízos milionários a diversas instituições financeiras, incluindo Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Safra.
Foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva. A Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de bens até o limite de R$ 47 milhões.
Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. As penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de reclusão.
Papel do Grupo Fictor
As investigações indicam que o Grupo Fictor exerceu papel estruturante na organização criminosa. A atuação consistia na injeção de recursos para simular movimentações financeiras entre empresas, por meio do pagamento cruzado de boletos.
O grupo também atuava na criação e gestão de empresas de fachada, viabilizando pagamentos cruzados, gerando faturamento artificial e construindo histórico bancário fictício para obtenção de crédito.
Tentativa de compra do Banco Master
Em 17 de novembro, a Fictor anunciou um acordo para adquirir o Banco Master, mas o negócio foi desfeito após a liquidação da instituição pelo Banco Central.
Em fevereiro, o Grupo Fictor protocolou um pedido de recuperação judicial para as empresas Fictor Holding e Fictor Invest, com dívida total de R$ 4 bilhões.
A empresa solicitou a suspensão e o bloqueio das cobranças das dívidas por 180 dias.
A Polícia Federal investiga o Grupo Fictor por suspeita de participação em fraudes financeiras.



