A ofensiva dos Estados Unidos para controlar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, está sendo considerada uma ameaça por agentes do mercado financeiro. A avaliação é de que a situação pode alterar investimentos e reprecificar ativos globais.
Ramiro Gomes Ferreira, sócio e cofundador do Clube do Valor, alerta que o mercado deve tratar as investidas sobre a Groenlândia como um movimento possível, baseado em ocupação e controle direto de recursos.
Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital, aponta que a situação não é apenas retórica, pois Donald Trump fala sobre o assunto há algum tempo. Leonardo Netto, private banker da Guardian Capital, mencionou que a ameaça de tarifas contra países europeus já fez o mercado reagir.
Setores em destaque
Caso os EUA consigam quebrar o monopólio chinês sobre as terras raras e militarizar o Ártico, três setores podem ser impactados. As mineradoras americanas e canadenses são vistas como opções para quem acredita no sucesso da ofensiva.
Netto citou ativos como MP Materials (M2PM34), Rare Earth, The Metals Company e o ETF REMX, focado em mineração de terras raras. Enrico Cozzolino, CEO da CZZ Capital, aponta para a demanda por radares, sensores e satélites, o que pode beneficiar empresas como Northrop Grumman (NOCG34) e Lockheed Martin (LMTB34), além do ETF ITA, focado no setor de defesa.
Cozzolino avalia que o embate geopolítico pode valorizar o dólar e beneficiar exportadoras brasileiras de minério e petróleo.
Riscos para empresas europeias e chinesas
Empresas europeias podem ser afetadas, como as dinamarquesas Maersk e Novo Nordisk (N1VO34). Ramiro alerta que a ameaça de retaliação em tarifas cria alta volatilidade. Investimentos baseados na tese de que a China continuará sendo a única fornecedora viável de minerais críticos perdem força.
Empresas que não diversificarem seus fornecedores podem enfrentar sanções ou bloqueios no novo eixo liderado pelos EUA.



