O presidente francês Emmanuel Macron, em entrevista a veículos europeus, afirmou que a União Europeia deve se preparar para novos momentos de hostilidade dos Estados Unidos. Macron também defendeu a necessidade de reformas para fortalecer o poder global do bloco.
Macron declarou que a UE não deve confundir a trégua nas tensões com Washington com uma mudança permanente. O presidente francês mencionou a necessidade de aproveitar o que chamou de “momento Groenlândia”.
Cúpula na Bélgica
Macron instou os líderes da UE a injetar nova energia nas reformas econômicas durante uma cúpula em um castelo belga. O objetivo seria reforçar a competitividade do bloco e fortalecer sua capacidade de enfrentar a China e os Estados Unidos.
“Quando há um ato claro de agressão, acho que o que devemos fazer não é nos curvar ou tentar chegar a um acordo”, disse Macron, em declarações ao Le Monde, Financial Times e outros jornais. Macron também afirmou que o governo Trump está sendo “abertamente antieuropeu”.
Regulamentação digital
Macron previu mais tensões com o governo Trump, inclusive em relação à regulamentação europeia da tecnologia digital. Ele alertou para a possibilidade de tarifas de importação impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, caso a UE use sua Lei de Serviços Digitais para controlar as empresas de tecnologia.
Macron afirmou que a Europa precisa ser mais resiliente diante dos desafios dos Estados Unidos e da China. Ele mencionou o “tsunami chinês” no front comercial e a instabilidade dos Estados Unidos.
Dívida europeia
Macron renovou seu apelo para que a UE utilize mais empréstimos comuns. O objetivo seria auxiliar o bloco de 27 nações a investir em grande escala e desafiar a hegemonia do dólar norte-americano.
A cúpula de quinta-feira incluirá discussões sobre os planos liderados pela França para uma estratégia “Made in Europe”. A estratégia estabeleceria requisitos mínimos para o conteúdo europeu em produtos fabricados localmente.
Macron mencionou que a estratégia econômica para tornar a Europa uma potência reside na preferência europeia.