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Low profile foi estratégia. Agora é limitação.

Por décadas, os maiores empresários do Sul do Brasil construíram impérios sem aparecer. Isso está mudando — e quem não entender esse movimento vai ficar de fora.

Estava hoje no Posthaus Conecta, em Blumenau. Um evento organizado por uma das maiores empresas de moda do Brasil — uma empresa que, diga-se, construiu sua liderança nacional praticamente em silêncio, operando do interior de Santa Catarina, sem holofotes, sem palcos, sem o barulho que o mercado costuma associar a grandes players.

E foi justamente o fundador, Jan Zadrozny, quem disse algo que eu não consigo parar de pensar: que é low profile. Que vem de uma geração mais contida. E que percebeu que esse perfil, por mais legítimo que seja, já não é suficiente para o momento que o mercado vive.

“Precisamos aparecer mais. Dar cara aos negócios. Nos conectar.”

Quando o dono de uma empresa desse tamanho sobe num palco e diz isso, não está fazendo marketing pessoal. Está fazendo um diagnóstico de mercado.

O que mudou?

A indústria catarinense — e a do Sul como um todo — tem uma característica histórica marcante: ela produz muito e aparece pouco. Enquanto o Sudeste exportava CEOs para capas de revista, aqui se exportava produtos para o mundo inteiro. Têxtil, metal-mecânico, tecnologia, alimentos. Construído em galpão, não em coworking.

Esse modelo funcionou por décadas. E funcionou muito bem. Mas o mercado mudou de lógica. Hoje, a confiança não nasce só do produto — ela nasce da pessoa. O empresário que não aparece, que não se conecta, que não compartilha o que pensa, vai sendo substituído na cabeça do cliente, do parceiro, do talento que ele quer contratar — por alguém que aparece.

Não estou falando de Instagram para ego. Estou falando de presença estratégica. De estar em eventos. De falar sobre o que você constrói. De sentar à mesa com quem está fora do seu setor e descobrir o que você ainda não sabe.

A virada que estou vendo acontecer

O Posthaus Conecta reuniu hoje líderes da Farm Rio, da Karsten, da Malwee, da Rovitex, do Grupo Marlan. Indústrias e varejistas que raramente compartilhavam o mesmo palco. E o tema não era técnico — era estratégico: digitalização, expansão, conexão com o mercado.

Isso não é coincidência. É um sinal. As empresas que atravessaram bem os últimos anos perceberam que fechar a porta e produzir não basta mais. O mercado exige transparência, presença e conexão. Quem lidera precisa ser visto liderando.

O produto continua sendo o fundamento. Mas a pessoa virou o diferencial.

E aqui está o ponto que mais me interessa: esse movimento não é modismo. É uma resposta ao ambiente de negócios que temos hoje — onde reputação se constrói em público, onde parcerias nascem de encontros reais, onde o talento escolhe trabalhar com quem admira, não apenas com quem paga bem.

O que isso tem a ver com você

Se você é empresário no Sul do Brasil e ainda opera no modo low profile absoluto — cabeça baixa, foco no galpão, zero presença — eu te faço uma pergunta direta: quantas oportunidades passaram pela sua porta sem que você soubesse, porque ninguém sabia quem você era?

Não precisa virar influencer. Não precisa postar todo dia. Mas precisa aparecer. Precisa ocupar espaço. Precisa estar em eventos, em mesas de conversa, em iniciativas que conectam o Sul com o Sul — e o Sul com o Brasil.

O Jan Zadrozny subiu num palco hoje e disse que precisa mudar. E ele tem décadas de empresa, liderança nacional e uma história que poucos têm. Se ele percebeu isso, talvez valha a pena você também parar e se perguntar: o que eu estou construindo que ninguém está vendo?

A indústria do Sul não precisa de mais produção. Precisa de mais presença.

E o mercado está pronto para receber essa virada.

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