O JPMorgan Chase reduziu o valor atribuído a certos empréstimos em suas carteiras de crédito privado, conforme noticiado pelo Financial Times. A medida limita o montante que gestoras podem tomar emprestado.
A decisão, tomada de forma preventiva, foi comunicada às gestoras, sem que tivessem sido disparadas chamadas de margem, segundo o jornal. Executivos do setor não identificaram outras instituições com postura similar até o momento.
Impacto nos empréstimos
A reprecificação impactou empréstimos a empresas de software, setor que tem sido analisado com maior cautela pelos investidores, de acordo com o Financial Times.
Troy Rohrbaugh, co-CEO da divisão comercial e de banco de investimento do JPMorgan, afirmou em fevereiro que o banco estava se tornando mais conservador em relação aos riscos do crédito privado.
O movimento ocorre em um cenário de crescimento da indústria de crédito privado, que financia empresas com perfis de risco mais elevados. Bancos como JPMorgan, Wells Fargo e Bank of America fornecem alavancagem ao setor.
O crédito privado captou US$ 400 bilhões de investidores de alta renda desde o fim de 2020, além de centenas de bilhões de dólares de investidores institucionais, segundo o FT. Esse avanço permitiu o financiamento de grandes aquisições, inclusive no setor de software.
Entre as aquisições financiadas estão a compra da Medallia pela Thoma Bravo, por US$ 6,4 bilhões, e a compra da Zendesk pela Hellman & Friedman e Permira, por US$ 10,2 bilhões. Parte dessas dívidas vence nos próximos anos.