O Irã descartou, neste domingo (8), renunciar ao enriquecimento de urânio em suas negociações com os Estados Unidos, mesmo em meio à pressão militar na região. As declarações foram feitas após uma rodada de conversas em Omã, na sexta-feira.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abás Araqchi, reafirmou que o país não cederá à exigência dos EUA de renunciar ao enriquecimento de urânio, mesmo diante de uma possível guerra.
Posicionamentos
Os Estados Unidos, que mobilizaram uma força militar no Golfo, incluindo um porta-aviões, exigem um acordo que inclua a limitação das capacidades balísticas do Irã e o fim do apoio a grupos armados hostis a Israel.
Araqchi declarou que o Irã poderia considerar “medidas de confiança” em relação ao programa nuclear, em troca do levantamento das sanções internacionais. O ministro também informou que o país está em consultas com China e Rússia sobre o andamento das tratativas.
Próximos passos
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viajará a Washington na quarta-feira para discutir o tema com Donald Trump. O emissário norte-americano, Steve Witkoff, visitou o porta-aviões “USS Abraham Lincoln” no Golfo.
Trump afirmou que haverá continuidade no diálogo na próxima semana.
Araqchi declarou à rede Al Jazeera que um novo ciclo de diálogos ocorrerá “em breve”, mas reiterou que as capacidades balísticas do Irã “nunca poderiam ser negociadas”.
As negociações entre Irã e Estados Unidos haviam sido interrompidas pela guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense.
Após a repressão ao movimento de protesto em janeiro, as tensões internas também escalaram. A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA) confirmou 6.961 mortos, em sua maioria manifestantes, e registrou mais de 51 mil detenções.
Em caso de um novo ataque, o Irã advertiu que miraria as bases norte-americanas na região e poderia bloquear o estreito de Ormuz.



