O setor de saúde suplementar recebeu, nesta semana, os dados para o cálculo do Índice de Reajuste de Planos Individuais (IRPI) de 2026. A Hapvida foi impactada pela decisão da Agência Nacional de Saúde (ANS).
A principal subsidiária da Hapvida foi reclassificada como um “ponto fora da curva” pelo Morgan Stanley, derrubando a estimativa de reajuste do teto do setor.
Impacto da Hapvida no cálculo da ANS
O cálculo do IRPI é baseado na Variação das Despesas Assistenciais (VDA) das operadoras. Para evitar distorções, a ANS exclui empresas com variações excessivamente altas ou baixas.
A subsidiária da Hapvida, que possui cerca de um milhão de beneficiários e representa 14% do segmento individual, registrou um crescimento de custo per capita de 35,2% em 2025.
A atualização da lista de operadoras excluídas pela ANS alterou os quartis estatísticos, reduzindo o limite de corte de 36,9% para 34,3%. Com isso, a Hapvida foi oficialmente deixada de fora do cálculo ponderado.
O IRPI deve reduzir para 5,1% devido à exclusão da operadora.
Sem a exclusão da operadora, o ajuste permitido para todo o setor seria quase três pontos percentuais maior.
Impacto nos resultados
A projeção de lucro líquido do banco para a Hapvida em 2026 é de R$ 224 milhões, valor significativamente menor que os R$ 430 milhões esperados pelo consenso do mercado, segundo o Morgan Stanley.
Os analistas reiteraram que o ponto do reajuste é apenas uma das frentes de pressão que a Hapvida deve enfrentar. O relatório lista quatro desafios para a companhia em 2026:
- Concorrência da Amil;
- Pressão de sinistralidade;
- Capacidade hospitalar;
- Macroeconomia.
As ações da Hapvida caíam mais de 3% no início da sessão, mas viraram para alta de cerca de 1% no fim da manhã.



