A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã está impactando a economia brasileira, afetando o câmbio, a inflação, o custo do agronegócio, o transporte marítimo e a oferta global de energia. Economistas analisaram os efeitos imediatos e as possíveis oportunidades a médio prazo.
Impactos Imediatos
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, aponta que a política monetária pode ser afetada. Com o barril de petróleo próximo de US$ 90 e fretes marítimos em alta, o corte de juros pode ser menor, com comunicado mais duro.
A alta do petróleo pode interromper a desinflação e prejudicar as exportações brasileiras para o Oriente Médio, que compra milho, carne de frango e açúcar.
Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, destaca o impacto no sistema financeiro global. O mercado financeiro reage com queda da bolsa, dólar acima de R$ 5,30 e aumento dos juros futuros. Investidores podem retirar recursos de países emergentes e direcioná-los aos Estados Unidos.
Alex André, economista e Head de Corporate Access da MZ Group, ressalta o risco de um “choque inflacionário de curto prazo” devido ao aumento do preço do petróleo. Isso pode impactar diesel, fretes e produtos derivados.
O Banco Central enfrentará desafios para conter o IPCA, mesmo com a Selic em 15%, embora a Petrobras possa tentar suavizar o impacto nos combustíveis.
Possíveis Benefícios a Médio Prazo
Galhardo avalia que a balança comercial de petróleo e gás, superavitária, pode se fortalecer com preços mais altos e câmbio desvalorizado, atenuando a desvalorização da moeda brasileira.
Agostini observa que o Brasil é autossuficiente em petróleo, mas não em refino, e depende de fertilizantes de países afetados por conflitos.
André aponta que o Brasil pode se beneficiar com o preço do petróleo mais alto por ser um produtor relevante. Empresas do setor tendem a ganhar com a valorização.
Barreiras econômicas geradas por guerras geram instabilidade, drenam investimentos e restringem relações comerciais.



